Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 04/07/2019

“No meio do caminho havia uma pedra.” Diante de tal frase do poema de Carlos Drummond de Andrade é possível encontrar semelhanças com a situação da doação de órgãos no Brasil, que embora de extrema importância para a continuidade da vida de milhares de pacientes, vem enfrentando dificuldades para sua realização, como a falta de conhecimento da população sobre o assunto e a concentração das cirurgias em certos locais.

Em primeiro lugar, cabe pontuar que a falta de esclarecimento a respeito da doação de órgãos é um dos principais fatores que influencia a não realização de transplantes no Brasil. Sob essa ótica, é cabível associar a teoria do Mito da Caverna do filósofo Platão, na qual os indivíduos inseridos em um local onde não há clareza dos fatos tendem a apresentar uma visão distorcida da realidade em que se encontram. Nesse sentido, a escassez de discussões acerca da doação de órgãos faz com que idéias errôneas sobre o procedimento sejam propiciadas, afetando negativamente o número de doadores, além de prejudicar a autorização dos familiares de potencias doadores, visto que a recusa familiar é de 43% dentro dos hospitais segundo o Ministério da Saúde.

Outrossim, a má distribuição das equipes médicas que realizam transplantes no Brasil é outro problema referente a questão. De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) há uma concentração da oferta desse serviço nas regiões Sul e Sudeste, enquanto nos outros estados a média de doadores e de cirurgias é baixa. Dessa forma, cria-se uma desigualdade no atendimento da população necessitada desse serviço, que acaba permanecendo por mais tempo na lista de espera que o resto das regiões brasileiras que possuem maior disponibilidade de médicos.   Dado o exposto, medidas são necessárias para reverter esse quadro. Cabe ao Ministério da Saúde, por meio de campanhas e propagandas nos diversos meios de comunicação, buscar tirar duvidas e informar a população da importância de ser um doador, a fim de desmistificar concepções incorretas sobre o sistema de doação de órgãos, dessa forma aumentando o número de doadores. Ademais, é dever de todos os governos locais atenderem as necessidades do setor de transplantes de órgãos, contratando mais profissionais especializados e investindo em melhorias para a realização das cirurgias. Assim, portanto, as pedras no caminho da doação de órgãos no Brasil serão removidas.