Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 06/06/2019
A doação é um ato de solidariedade e cidadania. Um único doador tem a possibilidade de salvar ou melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas. Entretanto, observa-se que o Brasil não há transplantes suficientes para suprir a necessidade do país, visto que, há pessoas que ficam anos na fila de espera. Nesse contexto, não há dúvidas que a doação de órgãos é um desafio no país, infelizmente, devido não só negligência governamental, mas também por falta de informação à sociedade.
Inicialmente, é válido considerar os avanços alcançados em relação a doação de órgãos na sociedade brasileira, entre eles pode citar-se as equipes preparadas para realizar cirurgias. Segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Nacional de Transplante, há mais de mil equipes distribuídas pelo Brasil além de 400 unidades prontas para atuarem nessa área. Nesse viés, de acordo com Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o número de doações cresceu 40% nos últimos dois anos.
No entanto, apesar das conquistas anteriormente citadas terem contribuído para o aumento de doações, a recusa dos familiares dos possíveis doadores infelizmente é o principal entrave para que esse crescimento seja ainda maior. Isso posto, segundo ABTO, os parentes têm a palavra final sobre a doação ou não de seus órgãos, mesmo que, quando vivo o falecido tenha deixado por escrito seu desejo de se tornar doador. Como faltam esclarecimentos e orientações sobre o assunto à população, muitos brasileiros não compreendem a importância da doação e seus procedimentos, e isso torna-se um impeditivo para diminuir a fila de pacientes ativos que esperam por um órgão.
Dessa forma, nota-se que medidas são necessárias para resolver a questão das filas de esperas para transplante. A fim de ajudar a sociedade a ter maior reflexão e disponibilizar mais informações sobre essa temática é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com as instituições de ensino superior, elabore um projeto social fornecendo campanhas nas associações dos bairros. Sendo assim, alunos da área da saúde realizem durante estágio obrigatório disseminamento de informações sobre doação de órgãos nessas associações. Outrossim, é esses acadêmicos oferecer não apenas esclarecimentos sobre o que é morte encefálica e como é determinado o diagnóstico, mas também explicar que após os procedimentos de coleta de órgãos pode-se cumprir os rituais de despedida pois a cirurgia não irá deixar a pessoa deformada. Ademais, ao fim do projeto, seja disponibilizada a criação da carteirinha do doador, para deixar explicito a vontade de doar, uma vez que, deixar a informação prévia sobre o desejo poderia amenizar a angústia das famílias nessa decisão. Com isso, será possível aumentar a corrente de solidariedade.