Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 01/07/2019
A série Grey’s Anatomy, que apresenta o dia a dia de médicos e residentes do hospital Seattle Grace, mostrou em uma de suas temporadas o drama vivido pelo paciente Denny Duquette que representa fielmente o que ocorre diariamente nos hospitais brasileiros- a longa fila de espera por um transplante de órgão. Hoje, no Brasil, há uma grande dificuldade em conseguir que as famílias doem os órgãos de seus falecidos. Nessa perspectiva, torna-se impreterível discutir a cerca dos dilemas da doação de órgãos no Brasil.
A priori, cabe destacar que uma análise pormenorizada do tema vai de encontro ao pensamento de Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polonês que instituiu o conceito de modernidade líquida que trata da falta de solidez nas relações sociais,políticas e econômicas, isso é posto, ja que muitas famílias negam a doar os órgãos dos falecidos, agindo assim em um momento de dor e fragilidade, de forma individualista, o que consequentemente, prejudica a uma outra família que está aguardando o órgão. Outrossim, é imperioso salientar ainda sobre os desafios enfrentados pelos pacientes nas filas de transplantes. Dados da ABTO, Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos mostra que o número de transplantes aumentaram 15,7% no 1º semestre de 2017. No entanto há uma carência de investimentos relacionados à área de doações de órgãos no Brasil, cerca de um bilhão de reais são investidos no setor, segundo a Associação, sendo considerado pouco perante os gastos. Portanto, ações que visem a solução da problemática são necessárias.
Infere-se por conseguinte, que medidas como a criação do projeto Doe um Órgão Salve uma vida são indispensáveis. Desse modo, é claro que o agente lógico para tal feita seria o MEC. Isso pode se tornar real por meio da promoção de campanhas midiáticas que informem e conscientizem a população sobre a importância de doar órgãos. Ademais, o Ministério da Saúde deve oferecer aulas práticas aos médicos com intuito de que eles saibam abordar as famílias em um momento tão difícil de modo mais empático e solidário. Com efeito, espera-se o aumento da doação de órgãos no Brasil e que menos casos como o de Denny Duquette sejam enfrentados no Brasil.