Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 04/07/2019

No filme Coração e alma, é retratado a escolha de uma mãe pela doação dos órgãos de seu filho, inclusive de seu coração, na qual é narrada a trajetória do transplante até sua futura receptora. Fora da ficção, apesar do crescente aumento de transplante de órgãos a persistência do grande número de pessoas na lista de espera é um impasse a ser enfrentado no país. Dentre as causas para essa pertinência está: a negação da doação por parte da família além da escassez de estruturas de coletas, transporte e transplante dos órgãos.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que um dos principais entraves para o aumento das doações é a recusa familiar do possível doador, tendo em vista que a decisão final é tomada pelos parentes. Segundo dados do Ministério da Saúde, 43% das famílias se negam a autorizar o transplante de órgãos, e de acordo com a mesma organização, essa negação se faz pela ausência de informação sobre os processos de doação, inclusive do não conhecimento da morte cerebral e como se faz sua constatação. Assim, muitos pacientes vêm a óbito na fila de espera por um órgão, porquanto que a demanda de receptores é bem maior que a de doadores.

Em segunda análise, destaca-se a má distribuição dos centros aptos para a coleta, transporte e transplantes dos órgãos. De acordo com a ABTO, a maior parte dessas estruturas, totalmente capacitadas, estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste do país. Nesse sentido, uma notícia realizada pelo portal da G1 informa a impossibilidade de uma doação, em Goiânia, haja vista que na região não havia hospitais preparados para o transplante. Dessa forma, muitas doações não são realizadas, pois cada órgãos tem determinado tempo de validade fora do corpo do possível doador.

Portanto, para que haja maiores atos generosos como demonstrado do filme Coração e alma, é fundamental que o Estado intervenha. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve criar campanhas publicitárias, tanto nas redes sociais como televisivas, com a intenção de ampliar o conhecimento da população em relação a importância da doação de órgãos para salvar vidas. Além disso, urge que o MEC determine ás universidades a formação de profissionais especializados em transplantes, não apenas na área da saúde, mas também na área de logística. Somente assim, será possível o aumento constante do número de transplante de órgãos como também irá decentralizar as estruturas capacitadas para doação de órgãos no país.