Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/07/2019

No Brasil, o Código Civil de 2002, em seu artigo 6°, prevê que o fim da pessoa física dá-se pela morte cerebral e é só a partir disso que pode acontecer a doação de órgãos, sob consentimento da família. Em relação a isso, um ponto positivo é o destaque mundial em transplantes que o país possui, entretanto parte da população ainda sofre com a falta de informação. Urge, portanto, a necessidade de analisar tal realidade de modo a identificar e resolver esse dilema e seus impactos sociais.

Em primeiro plano, graças à maior atenção dada pelo Estado para essa questão de saúde, o sistema brasileiro de transplante é o maior do mundo. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), o governo financia 96% dos procedimentos por meio do Sistema Único de Saúde. Desse modo, encontra-se na primeira posição dos sistemas públicos de saúde em relação ao número de cirurgias pagas pelo Estado. Como consequência disso, segundo o MS, as transplantações passaram de 14175 em 2014 para 23226 em 2014 -um aumento de 63,8%.

Entretanto, a falta de informação sobre o processo de doação ainda faz com que parte da população acredite nos mitos a respeito desse tema e isso dificulta o aumento na taxa de doadores. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, uma pessoa doadora pode salvar ou melhorar a vida de outros 20 indivíduos. Desse modo, como a autorização da doação está nas mãos da família do falecido, a desmitificação e o esclarecimento de como funciona todo o processo é importante. Como consequência, sem essa tomada de medida, o número de rejeição por parte dos familiares pode crescer.

Assim sendo, é indispensável a adoção de providências capazes de manter a boa colocação mundial do país nessas cirurgias e aumentar a taxa de doadores. Portanto, cabe ao Ministério da Educação acrescentar o tópico sobre doação de órgãos na Base Comum Curricular. Logo, esta ação deve ser feito por meio da inclusão desse assunto nos temas transversais curriculares -uma vez que esses debates serão feitos em aulas nas escolas-, com o objetivo de ensinar, desmitificar e esclarecer sobre essa questão. Tange, também, ao Ministério da Saúde aumentar a divulgação que já é feita na mídia, por meio da criação de mais campanhas ao longo do ano -já que a morte é um evento que não há hora para acontecer-, com o fito de reduzir a porcentagem de recusa da doação por parte das famílias. Com a tomada dessas medidas, tal dilema será atenuado.