Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 17/09/2019
Os primeiros transplantes de órgãos no Brasil ocorreram no início da década de 1970 nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Apesar dos avanços ocorridos nos últimos anos, a carência de orgãos a serem transplantados no país se mantém. Entre os entraves que corroboram para esse cenário, estão a recusa das famílias a doação e a questão da subnotificação de possíveis doadores. Nesse sentido, torna-se necessária uma análise crítica sobre a questão.
Inicialmente, cabe destacar que a falta de informação leva muitas famílias a negarem a doação dos orgãos de seus entes. A Lei de Transplantes vigente no país, estabelece que só se pode remover orgãos e tecidos para transplante após a autorização dos familiares, mesmo quando o doador deixa o consentimento por escrito. Esse cenário, somado ao fato de que grande parte das pessoas não conhecem a rigidez do processo de doação, resulta na recusa em 43% dos processos, o que segundo a organização de procura de orgãos prejudicou em 2016 cerca de 7mil pacientes.
Ademais, é importante salientar que a falta de profissionais de saúde capacitados compromete a realização dos transplantes no Brasil. A excassez de médicos aptos para diagnosticar casos de morte celebral, agrava ainda mais o enorme desequilíbrio entre a oferta e demanda de orgãos transplantados. Visto que segundo dados divulgados pelo portal de notícias G1 entre 2016 e 2017 o país não teve a metade de notificações de morte encefálica que poderia ter tido.
Fica claro, portanto, a necessidade de intervenção Estatal. O poder Legislativo, deve mudar a legislação de transplantes, através de um projeto de lei que crie uma central de cadastro de doadores, para que os interessados em doar, se manifestem sem a necessidade de aprovação familiar. Outrossim, o Ministério da Saúde, responsável pela administração e manutenção da saúde pública brasileira, deve promover a capacitação de médicos, através da criação de cursos específicos, para que esses possam diagnosticar casos de morte celebral e alertar a secretaria de saúde. Espera-se com isso aumentar o número de doadores, diminuindo assim a fila de espera por um orgaõ.