Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 18/07/2019

Segundo o Ministério da Saúde, em 2018, o número de doação de órgãos aumentou cerca de 7% em relação ao primeiro semestre do ano anterior. Apesar desse avanço aproximadamente 30 mil pessoas estão na fila de transplante. Isso mostra que o contexto do país, o qual é o segundo que mais doa órgãos no mundo, pode  melhorar. Para tanto é necessário que a população seja esclarecida e , sobretudo, o sistema de saúde seja reformado.

Em primeira análise, destacam-se como obstáculos o desconhecimento e a falta do diálogo sobre a doação de órgãos na sociedade brasileira, que estão ligados ,respectivamente, como causa e consequência. Muitos indivíduos são insipientes em relação a temática e o processo envolvido, o que os fazem temer o tráfico de órgãos, agredir seus princípios religiosos e acharem que estão matando o parente declarado com morte encefálica. Por corolário, 47% das famílias (dado da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) negam doar os órgãos, quando o cérebro não mais funciona irreversivelmente. Ademais, por causa dessas mesmas preocupações, o assunto se tornou um tabu e , dessa forma, a conversa para uma decisão prévia , do indivíduo, de ser um doário é impedia.

Outrossim, um bom atendimento é imprescindível para gerar confiança e facilitar o processo de doação de órgãos, nesse momento tão difícil para a família. Todavia, os hospitais especializados estão concentrados na região Centro-Sul - como é separada pelo geógrafo Geiger, por seu desenvolvimento econômico. Assim, as demais regiões sofrem com a falta de médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos com específica formação e treino para acolherem as famílias, além de conviverem com a deficitária estrutura física dos hospitais. Nesse contexto de inabilidade estatal, que se configura como entrave a doação de órgãos, na grande fila de 30 mil pessoas, muitos morrem aguardando o transplante.

Portanto, percebe-se pois, que governo e povo devem unir-se no desenvolvimento de uma sociedade mais doadora de órgãos. Com esse objetivo, o Ministério da Educação, deve clarificar todos aspectos da doação desde o ensino fundamental, por meio de palestras com especialistas e pessoas transplantadas- a fim de que o entendimento e o diálogo sejam fomentados. Paralelamente, o Ministério da Saúde em parcerias público-privadas, deve direcionar investimentos à estrutura hospitalar e à contratação dos profissionais necessários, em mais polos nas demais regiões. E, em fim, o Brasil alcançará uma real exemplaridade na doação de órgãos.