Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 05/08/2019

Desde o primeiro transplante de órgão no Brasil, o de córneas em 1954, a evolução é notória. As técnicas de captação foram aperfeiçoadas, assim como os equipamentos e medicamentos que evitam a rejeição. No entanto,mesmo depois de 64 anos de avanço, há uma resistência em apoiar ou ser doador. Por um lado, há a liberdade de escolha; por outro, a falta de informação e diálogo familiar.

Inicialmente, a respeito dessa questão, é imprescindível ressaltar que , embora haja diversas campanhas publicitárias, ainda prevalece uma grande desinformação sobre o processo. O medo do desconhecido,  associado às próprias suposições, resultam em uma resistência ao consentimento. Isso ficou relatado no documentário “Anjos da Vida”, no qual uma mãe afirmou o quanto os mitos influenciam no julgamento precipitado.

Sequencialmente, outro fator que precisa ser levado em consideração é que, no momento do luto, a família acaba sendo detentora do poder de escolha. Desse modo, de  acordo com dados do ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), 45% das famílias recusam autorização de doação, mesmo após morte encefálica. Assim, como a população não costuma dialogar sobre assuntos delicados, como a morte, o meio familiar acaba não tendo conhecimento sobre o real desejo do parente.

Torna-se evidente, portanto, que a doação de órgãos é imprescindível para manutenção da saúde pública e que sua importância deve ser compreendida pela população. Cabe ao Ministério da Educação incentivar as escolas a abordarem o tema na sala, por meio de uma abordagem biológica e social,  com vistas a desconstruir os mitos e as aversões em relação ao tema, bem como o incentivar a empatia e altruísmo. Além disso, cabe ao Conselho Federal de Medicina, realizar cursos de atualização que visem formar profissionais mais bem preparados para a abordagem com os familiares, realizando ciclos de palestras e debates com o público leigo.