Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 08/08/2019
A série brasileira, sob pressão, em um dos episódios retrata os impasses da doação de órgãos no tocante a recusa familiar e a dificuldade do convencimento dos médicos aos parentes. Fora da ficção, constata-se que esse embate permeia a sociedade brasileira, ampliando a fila de espera nos transplantes, seja pela ineficácia estatal na promoção de políticas de incentivo, seja pelo tabu social sobre esse ato solidário nas famílias.
A priori, é indubitável que é omissão estatal frente a efetivação de campanhas e projetos fomentem para o caos. Dessa forma, como disserta o filósofo Aristóteles, a política deve ser implantada de maneira que, por meio da justiça, a harmonia alcance o meio social. Nesse prisma, é notório que tal negligência do poder público rompe como o equilíbrio social, haja vista que há um baixo número de campanhas de incentivo as doações, bem como a insuficiência de veículos para transportar os órgãos de uma região a outra. Além disso, nota-se que a falta de infraestrutura em certos hospitais do país para realizar os procedimentos e a falta de organização das filas de espera também dificultam o processo de transplantes no país. Logo, é necessário a intervenção do Estado para mitigação desse impasse.
Outrossim, nota-se que o processo de mitificação dos transplantes perpetuam no Brasil e corroboram para o agravamento da problemática. Isso acontece porque, segundo dados do Ministério da Saúde, o país teve um aumento de 7% no número de órgãos transplantados, porém ainda havia cerca de 40 mil pessoas na espera de um órgão. Analogamente, é evidente que o mito social instalado no Brasil durante anos impede a ampliação do ato de solidariedade na doação. Atrelado a isso, tem-se a carência de debate nas escolas e mídia sobre a importância desse processo na sociedade, tal como a falta de diálogos dos parentes sobre o desejo de doação, impedindo assim a construção de uma sociedade harmônica e solidária.
É evidente, portanto, que há entraves para alcançar o equilíbrio conforme Aristóteles. Destarte, o Governo Federal, junto ao Ministério da Saúde, deve lançar campanhas em todo o país sobre a importância da doação de órgãos, bem como ampliar o fundo de investimentos para a criação de alas hospitalares especializadas para realização dos procedimentos e veículos capacitados para o transporte dos órgãos, por meio de projetos informacionais e de expansão, no fito de diminuir a fila e o tempo de espera. Ademais, a mídia e as escolas podem lançar campanhas que desmitifiquem o processo de transplantes, por intermédio de propagandas e aulas especializadas obrigatórias, no intento de esclarecer a população e formar cidadãos mais solidários e conscientes.