Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 14/08/2019

O ser humano é um conjunto das relações sociais concretamente determinadas pela história, o interesse não está somente em interpretar o mundo, mas sim em transformá-lo. Entretanto, quando se discute sobre os dilemas da doação de órgãos no Brasil, é possível afirmar que ela precisa ser melhor compreendida, visto que a limitação de informações fornecidas para a sociedade dificulta o aumento no número de doadores, haja vista que a falta de leis específica que nomeie a pessoa para ser doador independente da vontade da família, também faça parte desse problema.

Relativo a limitação de informações, cabe ressaltar que o Ministério da Saúde divulgou a média de indivíduos na fila de transplante, o número é de 41.266, e o número de doadores é de apenas 1.765, a partir desse levantamento é válido evidenciar a diferença entre esses números e logo questionar a ausência de políticas públicas, uma vez que mesmo não ocorrendo involuntariamente a conversa sobre doação de órgãos dentro dos lares, é dever do Estado proporcionar esse debate.

Além disso, vale salientar a falta de autonomeação no que diz respeito a pessoa decidir sobre querer ou não ser doador. No Brasil essa lei não existe, ademais é importante que a pessoa deixe aberta a sua vontade de querer ser doador. De acordo com o filósofo Jean Rousseau, “A vontade geral deve emanar de todos, para ser aplicada a todos”. Tal citação pode ser interpretada a quebra de preconceitos emanados pela sociedade e transmitir a visão de coletividade para o bem geral de uma nação.

É preciso, portanto, promover ações que realmente possam alterar esse quadro. Dessa maneira, faz-se necessário o Ministério da Saúde, junto com o Governo, criar um programa de orientação e informação sobre o sistema de doação de órgãos, por meio de propagandas televisivas e sites oficiais que abrangem todas as informações, com o apoio de médicos e profissionais da área, afim de esclarecer o assunto e diminuir os preconceitos enraizados na sociedade. Outra ação, precisa ser fomentada pelo poder legislativo, na elaboração de uma lei que garante ao doador, a doação de seus órgãos independente da vontade de sua família, por meio da assinatura em um documento onde deixa claro a vontade de ser doador, afim de aumentar as chances de vida da sociedade brasileira. Feita essas ações espera-se diminuir os dilemas de doações de órgãos do Brasil.