Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 19/08/2019

É de conhecimento geral que a doação de órgãos é permitida no Brasil. A lei 9434/97 torna legal a remoção de órgãos para transplante. Contudo, os dilemas em relação a doação de órgãos ainda não foram totalmente superados. Entre os fatores relacionados a essa problemática, destacam-se: a falta de entendimento por parte da família do doador, e a escassez de recursos do Sistema Único de Saúde - SUS.

Inicialmente, podemos entender que a carência de informação é um dos maiores obstáculos para essa temática. O biólogo Frank de Wall defende a ideia de que as pessoas vivem carregadas de tendências sociais, ou seja, muitas se baseiam no senso comum para ditar seu conhecimento a respeito de determinados assuntos. No caso do Brasil, a família é que decide a respeito da doação, porém, devido a esse senso comum, grande parte dos brasileiros não confia no sistema público de saúde. Por essa razão há um grande número de recusas para doação no Brasil.

Além disso, outro desafio para o tema em questão, se dá na exiguidade de recursos do SUS. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos - ABTO - prevalece uma grande dificuldade na manutenção do doador em hospitais com poucos recursos. Isso se deve a ausência de infraestrutura e de profissionais capacitados nesses hospitais.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde realize investimentos nessa área. Nesse caso, em relação a falta de entendimento dos familiares, a solução é promover cursos para os profissionais da saúde, realizados por psicólogos especialistas, com a finalidade de instruí-los na maneira correta de se abordar a família do possível doador. Assim, aumentarão as chances de que esta família permita a doação. Também, se faz de suma importância o envio de verba aos hospitais sem recursos, a fim de evitar o desperdício de órgãos viáveis por falta de manutenção adequada. Dessa maneira, o número de doações de órgãos aumentará e gradativamente os dilemas se resolverão.