Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 19/08/2019

A obra “Mãos dadas”, de Drummond, ficou marcada pelo seu viés de retratar a solidariedade existente sobre a doação de órgãos, no qual o escritor atua incessante para evidenciar a importância da prática doadora ao meio público. De modo semelhante a essa obra, o Brasil enfrenta dificuldades para elevar os índices de contribuição de estruturas corpóreas em seu território. Nesse sentido, faz-se a urgente alteração desse cenário, em que a concentração de núcleos especializados apenas em regiões centrais e propagação de informações falsas são fatores preponderantes para essa questão.

Em primeiro lugar, vale destacar as consequências da concentração de centros habilitados no corpo social. De acordo com o filósofo Jonh Locke, em sua “Teoria da Tábula Rasa”, retrata que os indivíduos são preenchidos por experiências positivas e negativas que afetam todo seu desenvolvimento. A partir dessa visão, decorrente da condensação de estruturas especializadas na região sudeste, inúmeras outras localidades acabam sendo excluídas e marginalizadas pela ausência de centros capacitados na doação de órgãos. Assim como a permanência dessa aglutinação, tal fato colabora para proliferação de filas de esperas pela aquisição de órgãos. Como consequência dessa concentração, essas regiões se tornam reféns a escassez de núcleos qualificados, em que muitas vezes, acabam sendo rechaçadas e esquecidas por centros doadores especializados. Dessa forma, isso ocasiona o desencadeamento de problemas de saúde pública e social, ao afetar diretamente o desenvolvimento profilático dessas áreas.     Além disso, a propagação de informações falsas contribui para essa problemática. De acordo com o jornal “O Globo”, cerca de cinco a cada dez pessoas já foram vítimas de notícias desleais sobre a temática, sendo que, muitas vezes, isso ocorre em virtude do alto poder de persuasão proferido pelas redes sociais. Tendo com consequência dessa visão monocular desconfigurada, a situação colabora para que os indivíduos sejam desestimulados a praticarem a protocooperação. Ao retratar, assim, um esquecimento social, no qual a doção de órgãos é invisível aos olhos do corpo social.

Nesse sentido, portanto, faz-se necessária a adoção de medidas a fim de minimizar esse problema. Para tanto, o Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, deve promover através de verbas públicas maior cobertura de centros especializados, com o objetivo de atender áreas segregadas socialmente. Outra articulação possível seria, o Ministério da Saúde, implementar em meios comunicação especialmente a televisão, debates ministrados por especialistas, com o intuito de desmitificar informações falsas propagadas ao meio público. Para que, assim, a visão de solidariedade da obra “Mãos dadas” seja perpetuada.