Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 21/08/2019

Em um episódio do desenho “Os Simpsons”, Abraham, pai de Homer, sofre um acidente e necessita da doação de um rim, e, por ser compatível, seu filho decide ser o doador. Porém, devido a falta de conhecimento de Homer acerca do assunto, o mesmo é persuadido por seus colegas, que alegam que ele não poderá mais beber caso se submeta ao procedimento, ocasionando em sua desistência. No cenário atual, é possível observar muitos brasileiros receosos quanto a doação de órgãos no país, e isso se dá pela escassez de informações sobre o processo, o que gera a enorme fila de espera por transplantes e o número insuficiente de doadores. Diante disso, é necessário analisar o fenômeno para que se possa contorná-lo.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, em consequência dos avanços da medicina, o processo de doação vem se tornando cada vez mais seguro e benéfico. Contudo, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2018 haviam mais de 30 mil pessoas na fila de espera aguardando por doadores, que por sua vez, estão em menor número. Esse fato decorre da falta de informações transmitidas à população, que se encontra receosa quanto as doações, sendo fundamental combater esse comportamento.

Ademais, carência de esclarecimento acerca do transplante de órgãos reflete no déficit de doadores no país. Desse modo, é possível compreender que, à recusa de muitos indivíduos a respeito da doação provém do pouco incentivo por parte do governo quanto a explicitação do assunto. Além disso, para que um indivíduo falecido venha a se tornar um doador, é necessário a autorização da família, e com isso, é importante que haja o diálogo, ainda em vida, entre os familiares para que os mesmos estejam esclarecidos quanto a decisão de cada um.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito da doação de órgãos, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC), em parceria com o Ministério de Saúde, elabore, por meio de verbas governamentais, palestras nas instituições de ensino que permitam esclarecer o processo de transplante e a importância do diálogo com a família quanto esse assunto. Além disso, campanhas publicitárias nas redes sociais e nas grandes mídias devem detalhar o valor de ser um doador, incentivando à população a buscar informações do procedimento e de como é realizado. Desse modo, será possível que o número de doadores aumente, e que, assim como Abraham, que ao final do episódio recebeu a doação de Homer, mais transplantados consigam aproveitar a vida e o que ela tem a oferecer.