Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/08/2019
Em saída para ser transplatado e salvar a vida do jovem Lucas,o coração guiado pela equipe aérea de transplante do Brasil,ficou submetido à diversos empecilhos existentes no país,principalmente a urbanização hierarquizada, a qual coloca os grandes centros urbanos como único local de acesso à transplantes organizados. Esse cenário foi retratado pela revista Piauí de 2017,relatando os dilemas da doação de órgãos no Brasil. Desse modo,o mau gerenciamento da saúde pública em conjunto com a ausência de disseminação de informações sobre o processo de doação corrobora para o declínio dos transplantes na sociedade brasileira.
A priori,cabe destacar o quão falho é o gerenciamento da saúde pública no Brasil e o quanto isso dificulta o acesso à uma boa capacitação das doações nas microregiões brasileiras. De acordo com art.196 da Consituição Cidadã, é dever do Estado garantir acesso universal e igualitário à saúde. Entretanto,no que tange à doação de órgãos é visto o investimento nas macroregiões enquanto os interiores ficam expostos ao descaso estatal,isso contribui para o aumento das filas de espera e, em casos mais graves, morte do paciente devido às longas viagens e à espera que é submetido. Assim,a ausência de médicos capacitados e materias cirúrgicos para a realização dos transplantes nas microregiões,so mostra o quanto a hierarquização urbana é um empecilho para doações de orgãos seguras. Logo,remodelar o gerenciamento público é importante para ocorrer mudanças nesse cenário.
Em conjunto com isso, a ausência da disseminação de informações sobre o processo de doação contribui para que a população não acredite em sua importância para saúde pública. De acordo com Roberto Manfro,diretor da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos(ABTO),o acesso à informação é de extrema relevância para que haja produtividade nos transplantes brasileiros. Desse modo,além do gerenciamento dos investimentos públicos,garantir a propagação de campanhas é essencial,para que a população esteja consciente dos mecanismos das doações,pois essa ainda não acredita na veracidade da morte encefálica ou sabe quais órgãos podem ser doados em vida,rejeitando ser um doador. Nessa pespectiva,descontruir o senso comum é importante para catalisar as doações.
Portanto,cabe ao Governo modificar as planilhas de gerenciamento público,por meio da construção de planos de doação de órgãos nas regiões interioranas, seja por meio da construção de tecnopolos-centros de pesquisa- seja pela melhoria em médicos e utensílios medicinais,para que a população não fique mais exposta aos mecanismos falho da saúde. Ademais,o Ministério da Saúde deverá investir na propagação mensal de palestras nos ambulatórios,por meio da participação de toda população,com o fito de aumentar a inserção social nas doações. Assim,evitar casos como o de Lucas e salvar vidas.