Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 28/08/2019

Na mitologia grega, o leão de Neméia - após sua morte - teve sua pele retirada por Hércules, a fim de ajudá-lo em suas próximas batalhas. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à doação de órgãos provindos de pessoas menos necessitadas, a fim de salvar uma outra vida. No entanto, verifica-se que essa ação enfrenta obstáculos devido à índole desvirtuosa de muitas famílias que, em seus entes, não permitem a execução da mesma. Diante disso, fica evidente a ineficiência do Estado em promover uma formação moral adequada para a população.

Nesse contexto, vale ressaltar que, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Todavia, verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado, uma vez que, ao precisar um órgão, é necessário esperar por uma doação que talvez nunca chegue, devido à quantidade exorbitante de pessoas existentes na fila e à quantidade limitada de doadores. Dessa forma, denota-se que, por conta desse infortúnio, diversos cidadãos perdem não só a esperança, mas também a vida.

Outrossim, é válido apontar que, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, o princípio da ética é agir de forma que essa ação possa ser uma prática universal. De maneira análoga, a rejeição dos familiares referente à doação de órgãos vai de encontro à ética Kantiana, dado que se todos os cidadãos a praticassem, milhares de vidas estariam condenadas e, posteriormente, a sociedade entraria em colapso. Adicionalmente, como reflexo desse quadro , abre-se espaço para a proliferação de máfias que, por meio de assassinatos, fornecem ilegalmente órgãos humanos, o que, em grande escala, fomentará uma sociedade distópica.

Urge, portanto, que o governo, por meio de profissionais especializados, promova diálogos com os familiares das vítimas, ressaltando a importância da doação de órgãos, a fim de convencê-los a ceder essa permissão. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com instituições formadoras de opinião - como escolas e universidades -, promova palestras e seminários, por meio de feiras culturais a respeito de empatia e valores virtuosos, o que fomentará, a longo prazo, uma formação moral adequada que fará jus, assim, à afirmação de Pitágoras: “Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”.