Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/09/2019

Ainda no século XX, foi realizado o primeiro transplante e esse feito ganhou estudos, crescendo o número de transplantados anualmente. Entretanto, existem mais de 35 mil, segundo o Ministério da Saúde (MS), pessoas esperando receber um órgão só no Brasil. Isso ocorre devido aos dilemas da adoção de órgãos, entre os quais pode-se destacar a relutância família do potencial doador em autorização o procedimento e dificuldades no transplantes das doações.

Em primeiro plano, cabe destacar a dificuldade da família decidir, em seu momento de luto, pela liberação da retirada dos tecidos e dos órgãos do paciente. De acordo com o MS, 47% das famílias contatadas se negam a autorizar o procedimento. Tal processo é dificultado pela falta de conhecimento sobre a morte encefálica pelas pessoas comuns, essas, por verem que coração ainda está batendo, frequentemente, desacreditam que o ente querido está finado. Por isso, é preciso que seja de conhecimento público os itens avaliados antes de ser declarada a morte cerebral e a pessoa ser identificada como possível doador.

Ademais, existem as dificuldades enfrentadas no transplante dos órgãos. Assim, os mais sensíveis como coração e pulmão que tem viabilidade máxima de 6 horas fora do corpo, podem ser perdidas caso não haja transporte viável. A exemplo disso, estão as situações em que o doador e o transplantados se encontram distantes e é preciso realizar a entrega de avião. Geralmente, a primeira alternativa são os voos comerciais, sendo esse impossível, é pedido que a FAB (Força Área Brasileira) realize esse serviço. Entretanto, o jornal O GLOBO divulgou dados alarmantes de órgãos perdidos devido a recusa da Aeronáutica de prestar esse auxílio. Isso se deve a não obrigatoriedade de prestar tal serviço, só existe um termo de cooperação.

Portanto, medidas se fazem necessárias visando minimizar os dilemas da doação. A primeira a ser tomada é de trazer para o saber popular  como é feito o diagnóstico da morte encefálica, esclarecendo que, quem sofre desse mal, não tem chances de recuperação. Isso deve ser feito pelo MS em conjunto com o Ministério da Educação, levando essas informações as escolas e postos de saúde, por meio de cartilhas explicativas e de fácil entendimento - essas também devem explicitar a utilidade de ser um doador e ter a família informada disso. Outrossim, é indubitável que o Ministério da Saúde solicite ao Congresso Nacional a criação de uma lei que obrigue a FAB a auxiliar, sempre que possível, o transporte de órgãos, tendo como objetivo zerar o desperdício pela falta de meios de locomoção eficientes.