Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 19/09/2019
Na novela “Malhação”, o personagem Renato recebe um coração transplantado e pode seguir a vida fazendo o que mais gosta: lecionar. De fato, casos como o dele não se limitam a cenários fictícios, visto que muitas pessoas, assim como Renato, conseguiriam seguir a vida normalmente se caso recebessem um novo órgão. Nesse sentido, a problemática acerca da doação de órgãos é um tema pertinente ao contexto brasileiro, pois o impasse desse problema gera perigo à vida de diversas pessoas. Fica notório que esse panorama é favorecido por causa das famílias que têm receio em doar e a inação do Estado em findar a desinformação da população sobre o assunto corrobora para que ele não seja resolvido.
A priori, é de responsabilidade da família informar ou decidir sobre a doação de órgãos do seu ente querido, esse momento de luto acarreta em várias duvidas por parte dos parentes se devem o não doar. Outrossim, em 2008 Eloá Cristina foi sequestrada pelo seu ex namorado e diante do final trágico desse caso, a família optou por doar os órgãos da jovem, apesar da situação. Nessa lógica, é válido afirmar que mesmo em momentos extremamente emotivos, os indivíduos precisam decidir qual atitude deve ser tomada. Segundo o filósofo Kant, as ações devem ser confrontas sob uma ótica universal para determinar se devem ser feitas ou não. Logo que presume que a doação de órgãos concorda com a ética Kantiana, pois acarreta no bem-estar de vários indivíduos e por isso deve ser feita.
Ademais, o Brasil precisa aumentar o número de doadores como forma de garantir o direito à vida aos cidadãos que estão na fila para receber órgãos. Dentre esses efeitos, conforme a Constituição Federal de 1988, é de objetivo fundamental da República garantir o bem de todos residentes no país. Por certo, esse direito não é amplamente garantido, uma vez que pessoas morrem enquanto esperam na fila de doação e o Estado mostra-se despreparado para resolver essa situação. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que trabalhem esses problemas e seus efeitos.
Torna-se evidente, portanto que casos como o do Renato devem ser ampliados para além da ficção na sociedade brasileira. Assim, para que o dilema sobre doação de órgãos seja resolvido no Brasil, é necessário que o Ministério da Saúde, com ações dos hospitais, crie um banco de dados nacional de futuros doadores de órgãos, que poderá ser acessado em qualquer hospital do país, por meio da modernização do site que já faz essa função, a fim de que a decisão não fique inteiramente em responsabilidade da família fragilizada. Além disso, as universidades e escolas, precisam, por intermédio de palestras e debates, promover a reflexão sobre a importância da doação de órgãos. Enfim, a partir dessas ações, a ética kantiana será consolidada mediante ao aumento desse ato.