Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/09/2019
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Holocausto foi o grande responsável pela morte de milhões de judeus, nesse contexto eram feitas experiências deploráveis com os hebreus, como a retirada de órgãos, o que os mantinham vivos e por fim morriam, ou seja, além dessa prática ferir os Direitos Humanos, os órgãos eram usados apenas para experiências cruéis. A partir disso, de maneira semelhante ,vê-se a necessidade, hoje, de discutir no Brasil sobre a doação de órgãos. Nesse sentido, cabe analisar problemáticas como a falta de informação aliada a afeição da família com o paciente, em busca de soluções eficientes para findar essa óbice.
Em primeiro plano, é ideal esclarecer que há um grande empecilho na doação de órgãos, pois as famílias desconhecem que a morte encefálica, por exemplo, é uma situação irreversível, entretanto, eles possuem uma crença de que ocorrerá um ´´milagre´´, e tal fator lhes oferece esperança. De acordo com dados da Associação Brasileira de Órgãos, 47% das famílias se recusam a doar órgãos de parentes com morte cerebral. Em suma, a falta de conhecimento dos familiares, torna a doação de órgãos um desafio, visto que grande parte das vezes, a família desconhece o desejo do paciente, no entanto, optará por não doar.
Ainda sob essa perspectiva, interessa lembrar que em um passado recente, estabeleceu-se a ´´doação presumida´´. Dessa forma, nas carteiras de identidade e de motorista, constatava se o indivíduo é doador de órgãos após a morte. No entanto, atualmente essa questão é baseada na decisão da família. Todavia, o monge agostiniano Martinho Lutero, advertia que deve-se doar com a alma livre, apenas por amor, de maneira espontânea. Em síntese, essa premissa permite, então, que se traga à tona a discussão de como é de suma importância que os doadores manifestem-se e digam seu desejo à família, para que a dor da perda transforme-se em uma esperança de vida para o próximo.
Diante desses aspectos, é necessário tomar medidas para deslindar o impasse das doações de órgãos no Brasil. À vista disso, é preciso que o Ministério da Saúde com o apoio da rede midiática, façam propagandas televisionadas com profissionais da área da saúde, como palestras que terão o objetivo de influenciar as pessoas a doarem órgãos, além de informar a população sobre os procedimentos necessários. Para que os indivíduos possam estar conscientes, de que a doação pode salvar vidas. Outra ação relevante, seria que o Governo Estadual com equipes médicas investissem nas famílias que perderam um familiar, como ao colocar grupos de apoio nos hospitais que terão o propósito de acolher a pessoas que passam por um momento de dor. A fim de apoiá-los na doação de órgãos do indivíduo falecido, visto que eles ajudarão uma pessoa que necessita.