Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 08/09/2019
Em um dos episódios da série “Grey’s Anatomy”, é mostrado o dilema do paciente Denny Duquette na espera por doação de órgão e a relutância na decisão pelos familiares do concessor. Paralelamente, na vida vida real, esse é um drama frequente por causa do sistema exigir a autorização das famílias do possível doador e a falta de informação da mesma sobre processo sequente.
Em primeiro lugar, o questionamento à família somente após a morte do possível doador influencia na demora. Essa medida visa o cumprimento da lei 9.464 porém, pode prejudicar na doação de alguns órgãos que possuem períodos determinados quando estão fora do corpo. Por exemplo, o coração só pode estar nessa condição por no máximo 4 horas. Logo o processo desde a morte do doador, o contato do hospital com o centro de transplante que, por sua vez, comunica e solicita a família para então analisar os dados(como tipo sanguíneo e tamanho do órgão) e, por fim, prosseguir com o transporte para o local da cirurgia do receptor, poderia ser agilizado se essa informação existisse antes da morte do futuro doador. Assim, responsabiliza o mesmo a informar e afirmar aos parente sobre o desejo de se tornar um doador, podendo ainda não ser atendido visto que, nesse momento o sentimento de dor e perda enfraquece a solidariedade para os necessitados dessas doações as quais são de extrema importância, uma vez que só ocorrem quando há morte encefálica do indivíduo.
Além disso, o desconhecimento da família sobre o processo pode causar receio na autorização. De acordo com a o Ministério da Saúde, há 35 mil pessoas esperando uma nova chance enquanto as doações anuais beneficiam, às vezes, 15% delas sendo que uma pessoa pode beneficiar, no mínimo, 8 pacientes. Isso comprova a baixa taxa de permissão dos parentes. Desse modo, o órgão que seria responsável por uma nova vida é destinado à terra.
Portanto, para resolver os impasses na doação de órgãos, o Estado deve criar uma nova lei que, por meio de uma declaração pública para a central de doações, o doador manifeste seu desejo e autorize a doação de seus órgãos após sua morte objetivando, assim, agilizar o processo burocrático para tal finalidade. Ademais, enquanto não há uma nova determinação documental, cabe a cada indivíduo anunciar sua intenção de doação, por intermédio do diálogo com os familiares, para essa atitude facilitar a aprovação da mesma exigida na lei vigente. Por fim, a mídia pode ajudar mediante divulgação,em novelas e propagandas, de como esse ato mudou a vida do recebedor ,para sensibilizar a sociedade na importância da caridade como respeito a dignidade humana, como disse Franz Kafka.