Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 05/09/2019
Franz Kafka, escritor alemão do século XX, dizia que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesse sentido, vive-se no Brasil uma crítica situação acerca da urgente necessidade de potencializar a doação de órgãos, visto que a frequente recusa dos familiares e a falha rede de saúde pública brasileira inviabiliza a obtenção de melhores resultados.
Justo por isso, é fato que a exposição desse problema pelos meios de comunicação e o incentivo a novos doadores ainda são escassos. Prova disso é que, segundo pesquisas divulgadas pelo jornal O Globo, as famílias não autorizam a doação em cerca de 50% dos casos viáveis. Isso acontece, em parte, pelo desconhecimento de conceitos básicos da medicina, como a morte encefálica, descompreensão pela ausência de diálogo com a equipe médica e a desconfiança acerca da segurança da doação. Assim, é uma falta de responsabilidade dos orgãos públicos que um grave problema de saúde pública não esteja no centro dos debates.
Por outro lado, a má distribuição das equipes que realizam o transplante é um sério obstáculo e um agente dificultador para o aumento do número de doações, visto que sua eficiência depende de uma ampla e efetiva rede de comunicação entre hospitais de todo o Brasil. De certo, se faz necessário um movimento social de conscientização para salvar vidas com os recursos biológicos dos que já se foram.
Para isso, é importante que o Ministério da Saúde em parcerias com ONGs desenvolvam campanhas publicitárias na televisão, mídias sociais e universidades para estimular o registro para a doação de orgãos em casos futuros e esclarecer dúvidas sobre o processo de captação e transplantes. Da mesma maneira, é crucial que o governo federal invista na capacitação dos profissionais da saúde e em uma rede efetiva de captação de orgãos doados entre hospitais para que,com educação e uma gestão eficiente, a solidariedade e competência sejam uma verdadeira marca da saúde pública brasileira.