Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/09/2019

O primeiro transplante de órgãos sucedido foi o de rim, realizado em 1954, na cidade de Boston, nos Estados Unidos, entre irmãos gêmeos, entretanto é no quadro de Fra Angélico que é retratado pela primeira vez o transplante, em 1438, na obra ‘‘A cura  de Justiniano por São Cosme e Damião". Contudo para haver o transplante é necessário, primeiramente, ocorrer a doação de órgãos, a qual possui diversos dilemas que impedem essa ação que salva vidas.

Um potencial doador é aquele paciente que obteve uma lesão irreversível do encéfalo e por consequência teve uma morte cerebral. Apesar de já existirem diferentes inovações tecnológicas como o transplante de órgãos do porco em humanos e a criação de órgãos a partir de células tronco e impressoras 3D, nem  todos esses recursos estão disponíveis no Brasil ou na escala mínima necessária para abrandar as filas de espera.

Outrossim, um fator imprescindível para a ocorrência da doação é a autorização da família, e não a do doador , para sua efetivação. Por isso, a divulgação de informações relativas a essa prática nos meios de comunicação em massa é importante para desfazer preconceitos que são difíceis de dialogar, seja pelo luto da perda ou incompetência dos profissionais. Ademais, a barreira da crença religiosa acerca da não aceitação da morte cerebral é outro motivo que impede a diminuição da fila de espera de 35 mil pessoas estimada pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.

Urge, portanto, que o Estado fomente, mediante às mídias sociais, o aumento de propagandas e informativos que esclareçam a população e estimule a reflexão e dissolução de preconceitos a fim de que se possa mitigar o tamanho das filas. Além disso, é premente a obrigatoriedade de instrução aos profissionais da saúde acerca da maneira e de quando se abordar os familiares, com a finalidade de se discutir sobre a doação de órgão para que não ocorra com tanta frequência o afastamento deles e se possa, desse modo, preservar mais vidas.