Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/09/2019
Na série televisiva norte americana “Grey’s Anatomy”, em um dos seus episódios, a protagonista “Meredith Grey” doa um pedaço de seu figado para seu pai. Fora da ficção, atos como esse é visível Brasil, porém, existem barreras, a qual devem ser quebradas, que dificultam no processo de doações de órgãos, seja pela falta de informação na sociedade, seja pela baixa qualidade da estrutura de saúde brasileira.
A priori, é importante salientar que a incompreensão acerca das regras e formas de doação é um agravante na problemática. Nesse sentido, é visível um medo enraizado na grande parte do corpo social, isto é, diminuindo o índice de doação bem como, acarretando um individualismo por não terem uma devida informação sobre o processo de doação. Esse cenário faz jus ao pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, o qual sustentava a ideia que as relações interpessoais cotidianas estão se tornando cada vez mais voláteis.
A posteriori, é fulcral pontuar, ainda, que a estrutura precária da coleta e transporte de órgãos influencia diretamente no empasse. Sob esse viés, nota-se um distribuição de transplantes desigual no país, ou seja, uma concentração maior em alguns estados e, por conseguinte, causando congestionamento nas filas de espera para transplante podendo causar a morte do indivíduo. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao analisar que, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2018, 1.286 pacientes morreram aguardando por sua doação.
Logo, para reverter esse panorama: cabe ao Ministério da Saúde, aliado ao ABTO, fazer divulgações de informação sobre transplantes e doações, por meio de mídias televisivas e digitais, onde se encontra uma maior concentração do público, a fim de desconstruir mitos e anseios sobre essa ação, bem como incentivar a empatia e altruísmo. Ademais, o MEC deve formar profissionais especializados em transplantes, não só nos cursos de saúde, mas sim de logísticas, na finalidade de deixar as distribuições mais igualitária. Somente assim, será possível, por fim, que casos como o da Grey não permaneçam apenas no contexto ficcional.