Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 16/09/2019

Os avanços médicos nos últimos anos foram significativos para a preservação e prevenção da saúde humana. Cita-se a evolução dos procedimentos cirúrgicos e os sucessos nos diagnósticos por exames específicos. Contudo, a morte, em alguns casos, não pode ser evitada pelos profissionais responsáveis e, nesse momento, a doação de órgãos torna-se uma decisão conturbada para a família do falecido. Nesse sentido, a limitada preparação médica e hospitalar e o desconhecimento da importância pela opção da doação tornam-se um impasse na sociedade.

Sob essa conjectura, a falta de informação pública tem um efeito nocivo na escolha pela doação de órgãos e tecidos. Devido a incompreensão acerca de como são realizados os procedimentos de captação e transplante, esse assunto é coberto por tabus e impressões negativas. Como exemplo da importância da divulgação e elaboração de campanhas públicas, é possível citar o Brasil, que obteve em dez anos, um aumento de 65% no número de doadores de órgãos graças a construção da comunicação entre famílias e áreas da saúde.

Ademais, é imprescindível a preparação dos profissionais envolvidos na efetivação dos transplantes. Atualmente, os sistemas computacionais de comunicação são ferramentas de extrema utilidade na integração entre médicos e hospitais, além do cruzamento de dados de compatibilidade. Todavia, a capacitação ética e moral de enfermeiros, clínicos e psicólogos é a essência de todo o sistema de acolhimento de familiares e captação de doadores, visto que, as atitudes profissionais refletirão diretamente na decisão familiar.

Portanto, é responsabilidade governamental a manutenção da integração dos sistemas de captagem e transplantação de órgãos. No Brasil, o Ministério da Saúde deve apoiar-se em meios publicitários na divulgação de informações e esclarecimento público. Como sugestão, a criação de uma plataforma online que alie a veiculação de referências médicas com a publicação de depoimentos de pacientes que receberam um transplante, para que seja criado um vínculo socioafetivo entre pacientes e possíveis doadores. Ademais, o Governo Federal deve investir na capacitação dos profissionais da saúde para que estes tomem postura de acolhimento às famílias e possam oferecer orientações adequadas aos parentes. Assim, será concretizada uma realidade de suporte e assistência à saúde nacional e a doação de órgãos sistematizada e, sobretudo, humana.