Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 17/09/2019
O filme “Sete Vidas” retrata a trajetória do protagonista que busca encontrar sete pessoas para salvar por meio da doação de órgãos. Fora dos cinemas, há uma analogia inversa já que o Brasil enfrenta desafios que dificultam essa atitude e coloca o país em uma posição insustentável, não só pelo predomínio da resistência à prática, mas também pela dificuldade na logística no transporte de órgãos. Em primeiro lugar, cabe ressaltar a falta de empatia ao próximo aliada à crenças são alguns dos motivos que mais impedem o ato. Nesse contexto, para que a doação aconteça basta avisar a família em vida. No entanto, mesmo cientes da decisão do falecido ainda há quem não autorize a doação, evidenciando o extremo individualismo amplamente discutido no livro Modernidade Líquida de Zygmant Bauman. Ademais, há religiões que repugnam a prática pois interpretam a bíblia de uma forma não convencional, como Testemunhas de Jeová, impedindo que milhares de vidas possam ser salvas.
Em segundo lugar, a dificuldade com o transporte de órgãos atua como impulsionadora do problema. Segundo jornal O Globo, cerca de mil órgãos foram perdidos pela falta de transporte aéreo no decorrer de cinco anos, o que evidencia a falta de planejamento no país, no qual insiste em investir predominantemente no transporte rodoviário desde o Governo de Juscelino Kubitschek deixando de lado os modais ferroviário e aéreo, que são mais rápidos e consequentemente, impediria muitas dessas perdas inestimáveis.
Urge, portanto, que medidas sejam aplicadas para a mitigação do problema. Para que a doação de órgãos no Brasil se torne algo amplamente feito, é necessário que o Ministério da Saúde promova palestras em escolas e universidades onde será discutido a importância do ato, além de realizar cadastros a todos que desejarem serem doadores para que a família não possa mais contrariar as vontades alheias, além de discutir valores como empatia e solidariedade, para que esse impasse não chegue às próximas gerações. Ademais, para que os órgãos doados deixem de ser desperdiçados esse mesmo ministério deve investir no transporte aéreo a fim de acabar com as perdas, objetivando alcançar a mesma analogia do filme Sete Vidas, em busca de empatia ao próximo acima de tudo.