Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 20/09/2019

A doação de órgãos ou de tecidos é um ato pelo qual manifestamos a vontade de doar uma ou mais partes do nosso corpo para ajudar no tratamento de outras pessoas. Apesar do Brasil ser o segundo país no ranking mundial de doação de órgãos e de tecidos, ainda não conseguiu superar a meta (16,5 doadores afetivos por milhões de habitantes). E com base nos dados, é necessário aumentar o número de doações e de transplantes de órgãos e de tecidos.

Primeiramente, uma das causas é a falta de comunicação entre os doadores e suas famílias, como cabe a família pós morte decidir qual vai ser o destino dado ao corpo, é frequente que o indivíduo por ser um tema tabu, não converse sobre isso com seus familiares, e os familiares tendem a assumir uma posição mais conservadora, de não fazer a doação, por isso a necessidade de se incentivar um diálogo sobre esse aspecto. E os motivos para a negação vão muito além : suspeitas de corrupção e do comércio ilegal de órgãos, desconfianças quanto ás informações passadas pelos médicos, e muito mais.

Segundamente, acima de tudo o não comprometimento dessa meta da ABTO conduz a morte e ao sofrimento de milhares de pessoas todos os anos. Apesar da melhora nos indicadores, milhares de brasileiros ainda morrem enquanto esperam por um órgão no país. No primeiro semestre de 2017, 1.158 pessoas morreram na fila. Não adianta querer transformar o povo em uma população doadora se não tem estrutura hospitalar para acompanhar a oferta de órgãos. Se as pessoas doarem mais e não tiver a organização necessária para aproveitar essa oferta, haverá um descrédito enorme das instituições médicas responsáveis.

Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Os conselhos profissionais de Medicina, Psicologia e Enfermagem, eles podem oferecer cursos de atualização que visem formar profissionais mais bem preparados para a abordagem do tema com as famílias de doadores em potencial; e na organização de ciclos de palestras e de debates sobre o tema com a população leiga; dessa forma com o intuito de introduzir previamente o conhecimento aos cidadãos brasileiros e garantir que em uma possível decisão que tenham de tomar sobre o assunto, estejam em plenas condições de decidir conscientemente.