Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 23/09/2019
No filme “Uma prova de amor”, a personagem Anna se nega a realizar um transplante de rim para sua irmã - portadora de Leucemia - pois tem receio do procedimento supostamente invasivo a ser realizado. Fora da ficção, esta é a realidade vivida pelo sistema brasileiro de doação de órgãos, uma vez que a falta de entendimento do processo de doação corrobora para o déficit de doadores efetivos. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios sejam alcançados a fim de resolver o impasse.
A princípio, é importante destacar a escassez de informações consistentes a respeito do assunto. Desde o Egito antigo, a morte é algo que impacta significativamente a vida de um corpo social, visto que os egípcios organizavam rituais para defuntos, na espera de que esses retornassem. Atualmente, a perda de um ente querido e, posteriormente, a possibilidade de retirada de seus órgãos ainda causa forte receio aos familiares. Dessa forma, é necessário que a sociedade possa conhecer todo o processo de transplante, para que seja erradicada toda aversão ainda existente.
Ademais, vale salientar que o preconceito com o assunto desemboca na falta de doadores. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), cerca de 43% dos brasileiros se negam à doação. Assim, a quantidade de fornecedores é insuficiente para suprir a demanda de pacientes que estão à espera de uma segunda chance para viver, visto que ainda existem 35 mil pessoas na fila por um órgão, segundo a ABTO. Faz-se necessário, assim, a dissolução dessa conjuntura, sob a ótica do físico Albert Einstein; o qual afirma que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.
Portanto, é mister que o estado tome providências para amenizar o quadro atual. Nesse sentido, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, detalhe para a população o processo de transplante de órgãos - assim como o conceito de morte cerebral. Tal ação deve ser realizada mediante palestras e mesas redondas em instituições de ensino, com profissionais da saúde - como médicos e enfermeiros, por exemplo - visando a uma maior conscientização do nosso corpo social a respeito do processo de doação de órgãos.