Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 16/10/2019

No filme “Uma prova de amor”, a filha da protagonista está com leucemia num estado avançado, com isso, seus pais decidem gerar uma criança para que ela seja compatível com sua irmã e, assim, acaba presos em exames evasivos, com a finalidade da doação de seus órgãos. No decorrer da trama, a jovem cansada de inúmeras procedimentos dolorosos, decide enfrentar seus pais. Assim como a trama do filme, a doação de órgãos ainda é um assunto bastante delicado nos dias de hoje, uma vez que, a lista de espera alta, o mercado clandestino e os preconceitos acerca do tema ainda se mantém vivos, gerando consequências que podem levar a morte de alguns pacientes.

A priori, vale ressaltar que, com os avanços tecnológicos significativos que o mundo passou nas últimas décadas, a doação de órgãos se tornou mais segura e com mais garantias de funcionar, porém a falta de informação acerca do tema, ainda é uma barreira que ainda tem de ser quebrada. Como consequência disso, a lista de espera dos pacientes que aguardam um transplante cresce de modo assustador, como mostra os dados pela Associação brasileira de transplante de órgão(ABTO), de que em 2015, 2 mil pessoas morreram na fila de transplante. Estatísticas essas, acabam levando a maioria dos pacientes a tomar decisões equivocadas, como recorrer ao mercado clandestino.

Como supracitado, o tráfico de órgãos se mantém ativo na sociedade atual, uma vez que a compra e venda dos mesmos se mantém em alta. Porém, esse mercado além de ser ilegal, ainda possui inúmeros riscos como, por exemplo, a violência causada para se conseguir um órgão em bom estado, podendo ser através de sequestro ou assassinato; os grandes problemas higiênicos que a falta de um ambiente adequado ao estocamento do órgão proporciona; e pessoas de áreas mais necessitadas, que por desespero acabam vendendo parte de seus corpos.

A posteriori, o preconceito sobre essa doação ainda se perpetua nos dias de hoje. Aonde, a falta de informação, o medo ou a cultura de determinada região faz com que as famílias não autorizem o transplante de tecidos corporais em caso de morte encefalítica de seus parentes, comprometendo assim, a vida de inúmeras pessoas que poderiam ser salvas.

Portanto, é preciso que o Ministério da Saúde juntamente com o Ministério da educação forme  parcerias com ONGs para se criar campanhas socioeducativas que visem levar os ensinamentos adequados para a população e afastar de vez as dúvidas que restam na sociedade, com a finalidade de quebrar mais esse tabu. Além disso, é preciso que a polícia federal, fiscalize e lute contra o tráfico de órgão que se perpetua no Brasil, através de investimentos tecnológicos e nas condições laborais. Pois como diz o “slogan” da ABTO: “quando se doa órgãos, se doa vida”.