Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/09/2019
Segundo a teoria de Immanuel Kant, o homem deve buscar o senso crítico e o conhecimento científico, a fim de superar inverdades enraizadas. Analogamente, é interessante traçar um paralelo com os mitos em torno da doação de órgãos no Brasil, onde a ignorância ou a falta de engajamento podem impossibilitar uma vida. Por certo, a abordagem insuficiente desse tema na educação civil cria preconceitos, como também a falta de mobilização social legitima as desigualdades na distribuição desse serviço.
A priori, é importante destacar que os tabus sobre o tema são resultado da baixa instrução educacional dada aos cidadãos. Nesse sentido, essa desinformação precisa ser sanada, visto que ela fortalece um imaginário de dúvidas a cerca da segurança do procedimento, havendo até especulações caluniosas sobre tráfico de órgãos nos hospitais. Por exemplo: segundo o jornal O Globo, em 2014, 46% das famílias não autorizaram o processo de doação nos casos de morte encefálica. Logo, esse cenário dificulta a adesão da população que não compreende a magnitude da questão.
Outrossim, vale ressaltar que a ausência de evolvimento social fortalece desníveis na distribuição desse benefício. Desse modo, de acordo com Lúcio Pacheco, presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, há uma concentração desse tipo de mão de obra no Centro Sul do país; nota-se a nocividade do não saber. Nesse viés, cabe reivindicar a plenitude do artigo 196 da Constituição: “A saúde é direito de todos e dever do Estado”, sendo papel da sociedade cobrar a ampliação do serviço para outras regiões, combatendo essa disparidade com participação e afeição.
Em suma, o apoio de todos na luta em prol da mentalidade de doar se faz crucial, enaltecendo, sem preconceitos e mentiras, esse ato de amor. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, por meio da alteração da Base Comum Curricular, incluir na ementa das matérias de biologia e sociologia conteúdos ligados a doação de órgãos, abrangendo diferentes áreas para desqualificar inverdades do senso comum. Assim, o senso crítico, tal qual o pregado por Kant, poderá lograr efetividade do artigo 196 e empatia geral.