Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/09/2019
No filme “Uma Prova de Amor”, é retratado a história de Anna, que foi concebida para ser uma doadora compatível da sua irmã, Kate, ao completar 11 anos de idade, a personagem decide enfrentar os pais e lutar na justiça por emancipação médica, dizendo estar cansada de ser submetida a precedimentos cirúrgicos e que possa ter o direito de decidir o que fazer com seu corpo. Fora da ficção, a realidade brasileira brasileira demonstra as mesmas conotações no que se refere a doação de órgãos. Diante desse perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da desinformação e individualismo.
Convém ressaltar, a princípio, que a falta de conhecimento caracteriza-se como um complexo dificultador. Nesse sentido, a recusa em doar decorre da ausência de esclarecimento sobre o assunto para a população. Nessa perspectiva, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica a causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre transplante de órgãos, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação.
Outro ponto revelante, nessa temática, é a questão da falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Conforme, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) divulgou dados que mostraram que entre janeiro e setembro de 2012, cerca de 6 mil pacientes foram diagnosticados com morte cerebral no país e seus órgãos poderiam ter salvado mais de 20 mil pessoas que aguardavam na fila de espera. Portanto, essa liquidez que influi sobre a doação funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Torna-se evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, é imperioso que o Ministério da Saúde, promova campanhas de divulgação de informação, por meio das mídias sociais, bem como instagram, facebook e youtube, com intuito de informar sobre o transplante de órgãos no Brasil. Ademais, as escolas, devem abordar o tema em sala, através de projetos estudantis entre os alunos nas aulas de biologia e história, com vistas a desconstruir os mitos em relação a doação, assim como incentivar a empatia e o altruísmo. Por fim, é necessário que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais amor, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo outro”.