Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 25/09/2019

A Constituição Federal, de 1988, prevê a todo cidadão o direito à educação, à saúde e ao bem-estar social. No Brasil, entretanto, a desinformação populacional e a forma ineficaz de congregar indivíduos solidários são dilemas que, infelizmente, reduzem a doação de órgãos, o que se tornou uma problemática de enorme relevância. Nesse sentido, é imprescindível a discussão acerca das possíveis medidas para atenuar tal impasse, da melhor maneira possível.

Mormente, a maioria da sociedade não tem conhecimento da tamanha importância que seus tecidos fisiológicos saudáveis possuem para um enfermo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde -OMS-, cada doador de órgãos pode salvar a vida de, até, 8 pessoas, ou seja, se 12,5% da população se declarasse como tal, ajudaria toda nação. Porém, lamentavelmente, isso não ocorre, muitas vezes, por razões sentimentais ou, até mesmo, religiosas, algo que precisa ser reavaliado, pois não podemos deixar fatores secundários se sobreporem à vida do próximo.

Em segunda análise, o Estado, por um detalhe burocrático, dificulta o aumento de doadores de órgãos no Brasil. Sob esse aspecto, enquanto no nosso país é necessário que o adulto se manifeste para ser um doador, na Holanda é justamente o oposto, o indivíduo, quando atinge a maioridade, automaticamente se torna um, e cabe a ele expressar uma objeção, por escrito, caso não tenha interesse, segundo pesquisa publicada pelo portal de notícias, Veja. Portanto, é inadmissível que um governo, dito democrático, não garanta, à toda nação, seguridade e possibilidade de uma vida saudável.

Diante disso, para que as prescrições constitucionais não sejam apenas teóricas, mas sim, medidas práticas, é necessária uma ação governamental mais organizada. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, responsável por manter a condição humana, informar melhor a população sobre os riscos da escassez de doações de órgãos, por meio de campanhas socioeducativas, realizadas em instituições de ensino público e privado, a fim de reeducar os jovens brasileiros e, dessa forma, torná-los adultos dotados de empatia e solidariedade. Ademais, o Poder Legislativo deve alterar a lei que visa à adoção de doadores, por meio de debates e Assembleias Constitucionais, para que, com tais implementações, a legislação holandesa possa ser adaptada ao Brasil e evoluí-lo socialmente.