Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 27/09/2019
´´A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. `` Nesse sentido, em consonância com a frase do escritor Kafka, tal solidariedade permite aos familiares a doação de órgãos de seus entes queridos. Entretanto, no cenário hodierno, o número de doadores é insuficiente diante da imensa fila de espera por um transplante. Todavia, analisar a situação de modo a combater essa mazela social, faz-se necessário.
Primeiramente, há uma ausência de programas governamentais que promovam a conscientização social sobre a doação de órgãos. Sob essa óptica, mesmo que haja doadores, eles não são o suficiente para erradicar a fila de espera. Desse modo, segundo dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de órgãos), a taxa de transplantes renais não cresce há sete anos. Nesse contexto, a resistência dos familiares muitas vezes está relacionada à falta de conhecimento adequado sobre os procedimentos da doação.
Acresce-se a isso a temática da morte ainda ser um tabu nas casas brasileiras, o que dificulta atos solidários como a doação de órgãos. Desse modo, lamentavelmente, o medo de se falar na morte e a falta de diálogo sobre uma possível doação não prepara os indivíduos para tomar a decisão de salvar vidas. Contudo, há uma necessidade dos cidadãos, em concordância com a teoria do super-homem de Nietzsche, em se libertar desses valores que aprisionam a sociedade e impede a solidariedade ao próximo.
Torna-se evidente, portanto, a ineficiência do poder público em informar a população e a falta do engajamento social como empecilhos a doação de órgãos. Para reverter tal cenário, o Ministério da Saúde juntamente com o Ministério da Educação deve levar essa discussão até as salas de aulas brasileiras através de palestras e feiras estudantis. Assim, documentários como ´´Na linha da vida`` e pessoas que já passaram por transplantes podem ser utilizados para promover a empatia do público infanto-juvenil. Desse modo, a discussão da temática chegará às casas do país. Ademais, para reforçar a ideia do diálogo familiar, as propagandas e novelas que reflitam a temática é extremamente necessária. Só assim, a dignidade humana será respeitada e valorizada conforme a fala do escritor alemão.