Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 27/10/2019
Segundo Platão, “O importante não é viver, mas viver bem”. Para o filósofo, qualidade de vida é tão importante que ultrapassa o valor da própria existência. Entretanto, no Brasil, milhares de pessoas que necessitam de transplante de órgãos têm seu bem-estar afetado em decorrência da baixa quantidade de doadores, situação que ocorre não só pelo estado emocional das famílias doadoras no momento de tomar essa decisão, mas também devido a pouca abordagem do assunto nas escolas. Assim, hão de ser analisados tais fatores para mitigá-los de maneira eficaz.
A priori, famílias sentimentalmente abaladas não compreendem os benefícios da doação de órgãos. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), entre 2004 e 2014, houve um aumento de mais de 60% na quantidade anual de doações. Porém, mesmo com esse aumento, o número ainda é relativamente baixo, não suprindo a demanda do banco de receptores. Nesse sentido, é possível apontar como maior entrave para as doações, a situação emocional das famílias no momento da abordagem, que muitas vezes acabam recusando o procedimento simplesmente por não terem um conhecimento prévio do seu funcionamento e não tendo, desse modo, noção dos inúmeros benefícios que podem ser proporcionados a quem está na fila de espera.
Posteriormente, doação de órgãos é algo pouco abordado em escolas. Segundo o filósofo Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele, ou seja, o indivíduo é socialmente construído a partir a educação que lhe é oferecida. Nesse contexto, pode-se afirmar que o ensino escolar sobre uma temática abre portas para que ela seja debatida e melhor aceita na sociedade. Sob essa visão, a não abordagem do tema doação de órgãos nas escolas tende a criar um tabu, gerando, dessa forma, uma grande quantidade de cidadãos avessos a concordarem com esse tipo de transplante.
Diante do exposto, medidas exequíveis são necessárias para aumentar o número de doadores. Logo, urge que o Governo Federal crie campanhas nas comunidades, visando conscientizar a população da importância dos transplantes, além de adicionar o tema na grade a curricular dos alunos de ensino médio, para que desde cedo possam interagir e tirar dúvidas sobre a temática; tais ações devem ser realizadas por meio de projeto de lei - que é a melhor maneira de tomar decisões e beneficiar a população - , para que, assim, a quantidade de pessoas recebedoras de órgãos aumente cada vez mais, permitindo que esses indivíduos busquem a máxima apontada por Platão.