Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/10/2019
“O Brasil é o segundo país no mundo que mais realiza transplante”. Essa constatação do Ministério da Saúde ratifica a vitória brasileira, sobretudo ao considerar todas as dificuldades enfrentadas por essa nação emergente. Contudo, apesar desse panorama favorável, é fato que ainda existem obstáculos que suscitam ações mais efetivas, como a falha na comunicação familiar e as regiões de vazio assistencial.
Em primeira análise, é válido ressaltar a incúria familiar. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, em média 60% das famílias autorizam a doação e, hegemonicamente, os casos negativos são defluentes da não manifestação, em vida, se queria ser doador. Assim sendo, tendo em vista o aumento da expectativa de vida do brasileiro e, por conseguinte, a redução natural do número de doadores, a negligência das famílias em não expressarem, entre eles, a vontade da doação de órgãos é extremamente fatal para o bem-estar e a continuidade da vida de outros cidadãos.
Ademais, nota-se a exígua infraestrutura de alguns estados para o transplante dos mais diversos órgãos. Conforme o Ministério da Saúde, por exemplo, somente três estados estão capacitados para o complexo transplante de pulmão. Destarte, nesses frequentes casos, os pacientes são obrigados a migrarem para outras regiões, de modo a invariavelmente agravar o sofrimento e a preocupação tanto do receptor quanto de seus familiares decorrente do risco relacionado ao transporte.
Impende, portanto, que maiores esforços são vitais para mitigar os empecilhos elencados e honrar, por certo, a posição do Brasil. Com isso, cabe ao Ministério da Saúde lançar campanhas, por meio das redes sociais, que mostrem casos reais de famílias de doadores e de transplantados. Essa iniciativa tem o fito de incentivar o debate sobre a problemática, de forma a ampliar o número de doadores declarados. Além disso, esse setor governamental deve habilitar equipes médicas para os variados transplantes, ministrando cursos presenciais nos estados precários, a fim de ampliar o sucesso dos transplantes.