Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/09/2019
Promulgada pela ONU (Organização Nacional da União) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito a saúde e ao bem-estar social. De maneira análoga, percebe-se que a população brasileira enfrenta conflitos no que diz respeito ao dilema da doação de órgãos, já que existem alguns conceitos desconhecidos pelas pessoas, como a questão da morte encefálica. Conquanto, diminui a expectativa de vida de pessoas que aguardam na tão conhecida fila da ‘’esperança’’. Não há, além disso, campanhas que esclareçam à população como a doação acontece e quais são os requisitos. Sob esse aspecto, convém a causa do problema em questão.
Em primeira instância, de acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) afirma que de 6 mil pessoas que tiveram morte cerebral (em 2012), somente 1.800 se tornaram doadoras, ou seja, ainda existe uma aderência muito baixa por conta de parentes que negam e desconhecem os requisitos de doação. Segundo a Legislação brasileira, não há como garantir efetivamente a vontade do doador, no entanto, na grande maioria dos casos, a família é responsável por essa decisão. Vale ressaltar, conforme pesquisa realizada pelo sistema de transplantes, que o número de procedimentos realizados nos últimos 10 anos, cresceu 63,8 %. Nesse sentido, esse resultado se deve ao esforço de equipes multiprofissionais envolvidos no acolhimento aos familiares.
Faz-se mister, ainda, salientar as dificuldades existentes no Sistema de Saúde como impulsionar do problema. Diante de tal cenário, novas políticas precisam ser aplicadas. É de fundamental importância, a emissão de um oficio viabilizando o direito de ser um doador de órgãos enquanto vivo, através de um sistema eficiente. Segundo o filósofo Friedrich Hegel, o estado deve proteger seus ‘’filhos’’. Portanto, precisa interferir nas relações sociais que afeta o direito de ser um doador por escolha própria, além de abordar o assunto nas esferas de ensino, uma vez que, se tornam esquecidas pelos educadores. Acerca dessa lógica, é notório que tal cenário não deve persistir e ações rápidas são essenciais.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a construção de um mundo melhor. Logo, as dificuldades de se tornar um doador é um inconveniente social que precisa ser extirpado do país. Desse modo, cabe ao Estado em parceria com o Ministério da Saúde, elaborar novas ações com apoio de profissionais capacitados para orientar e acolher os familiares nessa decisão tão delicada, como também, abordar esse tema nas escolas, com o intuito claro de fazer com que as pessoas passem a ser mais abertas à ideia de doação de órgãos, salvando diversas vidas quando à hora chegar. Assim, será possível evitar esse conflito de cunho social e finalmente o Estado poderá proteger seus filhos como propôs Hegel,.garantindo uma nova oportunidade de viver.