Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/09/2019

No ano de 2016, o então Presidente Michel Temer assinou um termo permitindo o uso dos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar órgãos para realizar transplantes. Apesar dessa medida ser de grande valor,a doação de órgãos no Brasil ainda enfrenta diversos dilemas que impedem sua capacidade de melhora. Dentre tos entraves estão o assunto não ser debatido por ainda ser um tabu para muitos, por causa da desinformação, e devido a questões emotivas com o corpo.

No cerne dessa problemática está a falta de conhecimento da população brasileira sobre o assunto supracitado. Embora saiba-se o que é o procedimento, os debates sobre ele são realizados entre os profissionais, sem que se torne a informação compreensível às demais pessoas. Com isso, muitos potenciais doadores se afastam, pois ficam receosos em meio a tanta incerteza. Em analogia, a descoberta do Novo Mundo foi semelhante, por que enquanto havia poucas informações o medo predominava e só os mais corajosos iam em direção àquele. Porém, após o conhecimento ser disseminado de maneira simples o número de viajantes aumentou. Como consequência, enquanto o tema ficar marginalizado nas discussões de saúde as pessoas permanecerão sem confiança em doar, e os gastos públicos e as filas de espera para cirurgia irão aumentar.

Ademais, outro dilema para a ocorrência dos transplantes é a importância do corpo estar preservado para não difamar a imagem final dos familiares sobre o falecido. Esse contexto, afirma a teoria de Sérgio Buarque de Holanda de que o brasileiro é o “homem cordial”, o qual toma suas decisões e escolhas baseados em seus vínculos afetivos. Por isso, quando um ente querido falece, a família, mesmo ciente de que os órgãos deste poderiam salvar mais pessoas, não permitem, pois a vida que interessava a eles já não é mais possível de ser salva. Tal agir apesar de compreensível, pelo abalo sentimental, deve ser combatido para evitar mais mortes e a ruína de outros núcleos parentais.

Em prol de mitigar o medo, devido à desinformação da sociedade brasileira, o Ministério da Saúde deve tornar mais acessíveis  e simplificados os dados sobre a doação de órgãos. Para tal, a instituição pública pode criar nas unidades básica de saúde(UBS) dos bairros, eventos periódicos, nos quais a população, os agentes de saúde e os cirurgiões interajam para sanar as dúvidas sobre o tema. Os responsáveis das UBS’s, para facilitar o entendimento das pessoas podem requerer aos funcionários que estão em trabalho de campo o intermédio das conversas, devido eles saberem como se comunicar com a comunidade em razão do convívio. Assim, será elucidado questões tidas como tabus e os temores a respeito do procedimento serão extinguidos, potenciais doadores se sentirão mais seguros para tentar salvar outras vidas, diminuindo, com isso, os gastos públicos e as filas de transplantes.