Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/09/2019

Há cinquenta e um anos, um coração transplantado deu inicio as atividades de transplantes de órgãos na medicina brasileira. No entanto, apesar do Brasil ter sido um dos pioneiros ao realizar o procedimento, alguns dilemas no sistema de saúde do País não foram transcendidos, e com isso o número de doações não alcança a demanda esperada. Nesse cenário, milhares de vidas são perdidas, seja pela desinformação da população, seja pelas barreiras logísticas.

Nessa perspectiva, pela carência de cognição sobre a temática, a doação de órgãos não possui maior avanço estatístico no Brasil. Sob esse viés, de acordo com os pensadores da escola de Frankfurt, as mídias como as sociais e jornalísticas, fazem parte da indústria cultural. Isto posto, esses mecanismos midiáticos utilizam a publicidade parar perpetuar uma cultura dominante em massa, em grande parcela vinculada ao lucro, ao tempo que questões mais relevantes como as de saúde pública encontram-se em um segundo plano. Dessa maneira, as informações como as formas de doação e regras de protocolo não chegam as pessoas leigas no assunto e, a partir da falta de conhecimento,  cria-se inverdades como a que apenas pessoas que já faleceram podem doar órgãos, o que impossibilita que muitas vidas sejam salvas.

Outrossim, o governo não cumpre a sua responsabilidade com o setor de saúde brasileiro. Nessa ótica, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o Brasil não conseguiu superar a meta de dezesseis doadores efetivos por milhão de pessoas nos últimos anos, uma vez que há empecilhos devido a má gestão governamental. Nesse quadro,  a distribuição desigual dos centros na região Sudeste e Sul, agrava o problema de transporte dos órgãos, haja vista a fragilidade do mesmo e o extenso território nacional. Ademais a falta de estruturas de coletas, assim como a de equipamentos em postos de saúde, pela falta de verbas direcionadas a esse setor, limitam a proporção de atendimentos, o que resulta na não obtenção da estimativa.

Logo, diante desse conjunto de dilemas, é necessário minimizá-los. Desse modo o governo em conjunto com o Ministério da Saúde, deve fazer um reajuste na distribuição de verbas destinadas a área da saúde de forma igualitária nas regiões do País, no intuito de melhorar o desenvolvimento e número dos procedimentos para alcançar uma proporção maior da população. Além disso, profissionais da saúde devem através da mídia digital divulgar campanhas de informação e organizar núcleos de palestras parar esclarecer mitos e dúvidas sobre a doação de órgãos, uma vez que é de suma importância desmistificar tabus que impedem o crescimento da nobre ação de doar órgãos. E, dessa forma, atingir a meta da ABTO.