Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/09/2019

No filme “Um ato de coragem”, o personagem do ator Denzel Washington explicita bem o desespero de um pai, que ao ver a necessidade do filho fazer um transplante de coração coloca toda e equipe médica como refém, visando solucionar o caso. Dessarte, a espera angustiante por um órgão é uma situação que acomete muitas vidas pelo mundo. De modo que, isso se agrava ainda mais com dilemas como a baixa quantidade de doadores, o que pode cooperar com o tráfico de órgãos.

Segundo a OMS a quantidade de doadores cobre apenas 1/10 da demanda mundial e restringindo-se ao Brasil vê-se o cenário de que, 47% dos familiares de quem tem morte cerebral opta por não doar. Com efeito, os dados são preocupantes e somados a uma falta de construção de consciência social, baseada na ausência de discussão a respeito do tema na família, é ainda pior. Não obstante, ao refletir sobre esse viés negativo a Espanha tornou-se um dos países que mais doa, por meio do fomento massivo à campanhas.

Outrossim, vislumbrado essa condição de urgência e fragilidade na qual se encontra o indivíduo mercados ilegais encontram espaços para agir. Com isso, um em cada oito dos transplantes realizados são ilegais, segundo reportagem publicada na revista Galileu Galilei. Tal conjuntura é preocupante, pois em condições clandestinas doador e receptor podem ser deixados a mercê de condições e pessoas inadequadas para realizar o procedimento. Assim, países de terceiro mundo como a Índia se evidenciam entre os que mais doam ilegalmente, o que se fundamenta na baixa condição social da maioria dos seus habitantes, que com a venda de órgãos tem a perspectiva de algo melhor.

Em suma, a problemática instaurada se embasa na discrepância entre doadores e receptores, que pode incentivar a ilegalidade. Portanto, para que haja a mudança é preciso que o governo, em todas as suas instâncias (municipal, estadual e federal), se una ao Ministério da Saúde e a empresas publicitárias visando realizar campanhas com o tema em questão. De modo que, elas sejam periódicas e aconteçam nos meios de comunicação, hospitais, escolas e universidades, de forma que tudo isso seja realizado com o capital público-privado, com o auxílio de professores, médicos, dentre outros. Ademais, faz-se necessário o endurecimento da legislação responsável por gerir a doação de órgãos, com o intuito de imputar penas mais duras aos que agem ilegalmente. De maneira que, haja um trabalho conjunto entre a polícia federal e os municípios na fiscalização. Só assim haverá melhora.