Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/09/2019

Em 3 de dezembro de 1967, o cirurgião sul-africano Christiaan Barnard fazia o primeiro transplante de coração humano, tal procedimento revolucionaria a história da medicina no mundo. Hodiernamente, no Brasil a vida de muitas pessoas depende da doação de órgãos ou tecidos, porém, o número de doações ainda é baixo devido à falta de informação do tema e recusa da família. Neste sentido, é preciso compreender o dilema a fim de mitigar o problema.

Segundo a escritora norte-americana Ellen White em seu livro “Educação”, a informação e  o conhecimento podem libertar o ser humano da ignorância e da inutilidade. Outrossim, uma grande parte da sociedade brasileira desconhece o sistema de doação de órgãos do SUS e a importância que há neste programa para salvar a vidas de milhares de pacientes. Segundo Roberto Manfro, Presidente da  ABTO (Associação Brasileira de Transplante de órgãos), o grande problema é a falta de esclarecimento em relação às doações, pois quando as pessoas são esclarecidas, elas entendem e se posicionam a favor. Logo, enquanto a população for destituída de informação e não houver diálogo sobre o tema, este quadro de desinformação persistirá.

Além disso, outro fator que influencia no baixo número de doações é o medo da família em liberar os órgãos em caso de morte cerebral, pois, na maioria das vezes, as famílias se negam. Conforme dados divulgados pela ABTO, em 2012, mostram que cerca de 6 mil pacientes foram diagnosticados com morte cerebral no país e seus órgãos poderiam salvar a vida de quase 22 mil pessoas que aguardavam na fila de espera, porém, somente pouco mais de 1.800 deles se tornaram doadores; constata-se que mais vidas poderiam ser beneficiadas com um ato de solidariedade. Ademais, a doação de órgãos que é  regulamentada pela Lei nº 9.434/97 diz que somente os familiares podem autorizar  a doação mesmo que o falecido tenha manifestado o desejo em vida. Assim, é mister a família ser esclarecida sobre a legislação a fim de fazer a melhor escolha em seu momento de perda.

Portanto, para o filósofo alemão Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Logo, o Governo Federal, por meio dos Ministérios da Educação e Saúde, deve fazer campanhas que serão veiculadas nas rádios,TV’s e mídias sociais, de forma que informação alcançará o maior numero de pessoas,  com o objetivo de informar a sociedade da importância da doação de órgãos e tecidos e  sobre a legislação em vigor.  Além disso, nas escolas e nos hospitais deve haver campanhas conscientizadoras com o uso de cartazes e palestras e orientação de profissionais da área, assim as  famílias e cidadãos serão esclarecidos e o número de doações e transplantes aumentarão a cada ano. Desta maneira, o Brasil terá uma sociedade mais solidária e empática.