Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 27/09/2019
Diversos episódios da série “Grey’s Anatomy” retratam a problemática da doação de órgãos, sobretudo quando a decisão depende do consentimento familiar. Apesar de ser uma ficção, a obra mostra uma realidade vivida por muitos atualmente, em que essa prática enfrenta diversos problemas, tanto pela infraestrutura limitada dos centros cirúrgicos, quanto pela recusa da família do doador.
Observa-se, em primeira instância, que a insuficiência de recursos necessários para cirurgias de transplante de órgãos é um dos maiores obstáculos enfrentados. Segundo uma pesquisa realizada pelo jornal O Povo, a carência de materiais hospitalares como seringas, cateteres e fios de aço cirúrgicos, impossibilitaram que algumas cirurgias fossem realizadas nos hospitais de Fortaleza, Ceará. Em razão disso, diversos pacientes perderam a chance de receber órgãos ou tecidos doados, devido ao limite de tempo que são capazes de resistir após sua retirada, em que alguns, como o coração, suportam apenas 6 horas. Nota-se que é de extrema importância equipar apropriadamente as unidades de saúde.
Deve-se abordar, ainda, que a recusa familiar é um fator de impedimento na doação de órgãos do país. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a taxa de recusa por parentes é de 47%. Isso ocorre, muitas vezes, devido a incompetência médica, em que os profissionais não explicam detalhadamente como funciona a morte encefálica, ou pela religiosidade, na qual a família acredita que algum milagre possa acontecer para que o quadro de saúde do parente seja revertido. Sendo assim, é preciso que a sociedade compreenda a importância de debater sobre o assunto junto dos familiares e informa-lhes sobre o desejo de ser um doador.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde investir na melhoria das unidades de saúde, por meio da capacitação de equipes multiprofissionais e da oferta de equipamentos de qualidade, como insumos médico-hospitalares, transportes ágeis e serviços de assistência familiar, criando assim, um sentimento de confiança nos familiares, com o objetivo de que os transplantes sejam realizados em condições ideais e com maiores chances de eficácia. Por fim, é papel da mídia disseminar informações sobre a importância da doação de órgãos, para que a sociedade tenha conhecimento dessa realidade e, por conseguinte, a discordância familiar torne-se cada vez menor.