Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 28/09/2019

“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Essa assertiva, atribuída ao escritor austríaco Franz Kafka, é a que melhor sintetiza o impacto e a importância social da doação de órgãos. Dessa maneira, apesar de representar a esperança para milhares de pacientes em todo o país, a política de transplantes ainda encontra diversos dilemas para sua efetivação. Assim, diante dessa conjuntura, é indispensável o debate acerca do tema e da necessidade de medidas públicas assertivas.

Em primeira análise, é indiscutível que o ato da doação de órgãos representa uma temática de grande importância e impacto social. Nesse diapasão, a ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos- aponta que, em 2018, existiam mais 30.000 pacientes em lista de espera para transplantes, o que evidencia a dimensão e a urgência da redução desses números. Dessa forma, é preciso avaliar os aspectos que impedem uma maior eficácia desses procedimentos.

Em segundo plano, apesar de ser uma realidade latente no âmbito da sociedade brasileira, o desconhecimento sobre as implicações e etapas do processo representam o maior empecilho. Outrossim, uma vez que a legislação específica determina que, no caso da retirada de órgãos e tecidos de pessoa falecida, a responsabilidade recai sobre os familiares imediatos, é possível constatar a importância do diálogo sobre o tema no ambiente familiar. Ademais, a humanização do procedimento perpassa por uma maior difusão de informações e direitos, além da importância do ato para o paciente transplantado.

Evidencia-se, portanto, a premente necessidade de medidas de enfrentamento. Por conseguinte, urge que o Ministério da Saúde, em ação conjunta com o Ministério da Educação, promova oficinas educativas, por meio de palestras e saraus, com a participação de médicos e psicólogos, em escolas e universidades, enquanto centros formadores de opinião, com o fito de evidenciar a importância do ato de doação de órgãos. Além disso, é mister a participação de pacientes transplantados, buscando humanizar o procedimento e demonstrar que, antes mesmo de uma medida de saúde pública, a doação de órgãos representa um ato solidário em prol da dignidade humana, nos termos do brocardo kafkaniano.