Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 28/09/2019
No ano de 1954, o médico Joseph Murray realizou o primeiro transplante de órgão humano bem sucedido, mas no Brasil só foi realizado a partir de 1964, o que corroborou para o avanço da medicina no país. Hodiernamente, no Brasil, tal procedimento sofre entraves; haja vista que, apesar da importância desse ato, a lista de espera por transplantes ainda é enorme. Nesse âmbito, analisa-se que a problemática é sustentada, sobretudo, pelo descaso governamental e, ainda, pela falta de conscientização da sociedade.
Em primeiro plano, verifica-se que a insuficiência de ações do Poder Público é causa evidente do problema. Conforme preconizado pela Constituição Brasileira de 1988, é legal a remoção de partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento, caso seja autorizada pelo doador ou responsáveis. No entanto, o Estado diverge de tal perspectiva, visto que a falta de infraestrutura de hospitais, a escassez de instrumentos e profissionais, impossibilita a doção de órgãos, como foi o caso ocorrido em Cabo Frio Rio de Janeiro, publicado pelo jornal Correio, no qual a doção de órgãos de uma jovem não foi possível porque nenhum hospital da rede pública da região tinha aparelhos para realizar exames complementares que autorizassem o processo. Diante dessa exemplificação, observa-se que essa prática não é prioridade dos governantes e rompe com a aplicação constitucional.
Outrossim, é importante destacar o papel da educação para temática, já que, conforme preconizado pelo educador brasileiro Paulo Freire, se a educação não pode transformar uma sociedade, sem ela, tampouco, a população muda. Destarte, é elucidado como é importante a conscientização. Contudo, no Brasil, não há uma política eficiente que esclareça a importância de doar e avisar a família sobre a doação de órgãos o que corrobora, em sua maioria, para formação de um corpo social sem informação que possuem receio, medo e deixam de realizar e autorizar tal procedimento. Diante disso, medidas são necessárias para solucionar o atual panorama.
Portanto, é papel do Ministério da Saúde, a melhoria da estrutura dos hospitais públicos, a compra de mais aparelhos de exames e a contratação de mais profissionais- por meio da ampliação de verbas destinadas ao Conselho de Saúde e por intermédio de concursos- para que, todos tenham acesso adequado a doação de órgãos. Soma-se a isso, compete às instituições formadoras de opinião, como escolas e setores da mídia de amplo alcance, fomentar uma mentalidade da importância da doação de órgãos, por meio de palestras, documentários e séries sobre a temática, os quais sejam capazes de explicitar como é importante praticar esse ato, com o fito de diminuir as filas de transplantes. Para, assim, rapidamente melhorar esse quadro indesejável.