Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 01/10/2019

A partir do século XIX, a vida em sociedade mudou nas mais variadas esferas, a exemplo da saúde. No Brasil, vive-se uma situação crítica quanto a doações de órgãos, visto que, mais de 40 mil pessoas estão na fila de transplante e o maior dilema tem sido a recusa por parte das famílias. Essa recusa se dá pela falta de conhecimentos sobre a morte encefálica, duvidando da segurança da doação. Portanto, é vital reavaliar tal quadro, intrinsecamente ligado a aspectos socioeconômicos.

A priori, é crucial ressaltar que uma parte muito pequena das mortes encefálicas é revertida em doações de órgãos. Isso ocorre, na maioria, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnista, na qual não há estímulo ao questionamento. Sob esse viés, não há doadores suficientes para suprir o número de receptores que estão na fila de transplante, por isso, muitos morrem aguardando. Dessa forma, é possível aferir que a falta de esclarecimento acerca da retirada dos órgãos, tem como tendência a negação, já que não é comum haver campanhas sobre o tema. Diante disso, uma anologia com a educação libertadora de Paulo Freire mostra-se possível, dado que o pedagogo defendia o ensino capaz de estimular a reflexão, libertando assim, o indivíduo sujeitado.

Outrossim, apesar de existir um bom funcionamento institucional quanto aos transplantes de órgãos, segundo o Ministério da Saúde, 95% dos procedimentos é financiado pelo SUS, porém pouco investi-se na assimilação individual. Esse assunto e seus devidos esclarecimentos não são pautas comuns nas escolas. Isto posto, o tema fica pouco explorado e em um eventual momento de decisão, a família não autoriza a doação. Assim, é preciso repensar a questão cultural, desmistificando preconceitos.

Logo, é visível que o dilema da desinformação e do desconhecido precisam ser superados. Desse modo, é imperiosa uma ação do MEC, por meio da oferta de debates e a inclusão do assunto na Base Comum Curricular, afim de causar um grande impacto na construção da consciência coletiva. Destarte, a sociedade possa dar uma nova chance de vida a quem precisa.