Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 12/10/2019
No contexto social vigente, embora a ciência tenha evoluído nas últimas décadas, a doação de órgãos no Brasil ainda continua sendo um desafio a ser combatido. Sabe-se que essa problemática está apoiada na falta de informação sobre o assunto junto à falta de infraestrutura nos hospitais públicos.
Em primeira análise, nota-se a ignorância da população sobre os processos de doação de órgãos. De modo que a morte cerebral é uma das premissas para que os órgãos sejam doados, o desconhecimento da família sobre esse assunto somado à negação da morte do parente acabam motivando os familiares a recusar que a transferência seja feita. Consoante a isso, a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos afirma que 47% das famílias recusam doar os órgãos de parentes por falta de conhecimento sobre a irreversibilidade da morte cerebral.
Paralelo a isso, a falta de organização nos hospitais públicos intensifica essa problemática. Salvo que, mesmo que haja uma aprovação da família na transferência dos órgãos, a falta de infraestrutura tanto para acolher o doador quanto para realizar os exames, a fim de confirmar sua aptidão para doação, impede com que ela seja feita com êxito. Prova disso é que, segundo o G1, a falta de estrutura para a acolher uma doadora numa UTI em Goiás impossibilitou que nove órgãos dela fossem cedidos.
Fica claro, portanto, que devem ser tomadas medidas urgentes a fim de reverter essa situação. É papel do Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, por meio das redes sociais e de programas televisivos, promover propagandas de cunho educativo sobre morte encefálica e dos processos da doação de órgãos, a fim deixar a população ciente e consciente sobre o assunto. E, também, é dever do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, investir em infraestrutura nos hospitais públicos, criando alas específicas para o acolhimento de doadores e disponibilizando equipamentos para os exames desses, a fim de garantir a eficácia da doação de órgãos.