Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 09/10/2019
“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito à dignidade humana”. Na frase do escritor checoslovaco, Franz Kafka parecia se orgulhar de algo essencial ao ser humano: a solidariedade. Porém, anos após a sua época, a crença de familiares e a falta de informação impede que vidas sejam salvas através da doação de órgãos. Portanto, é primordial identificarmos os dilemas e motivos pelo qual tal ação permanece presente em nosso meio social.
Em primeiro plano, é visível que os familiares dos indivíduos enfermos, dificultam o processo da doação de órgãos. Isso porque, a decisão final cabe sempre e exclusivamente à familia. As mesmas pessoas ainda acreditam no processo do corpo intacto, assim como os egípcios que mumificavam os parentes na esperança de uma possível ressurreição. Para exemplificar a determinada situação, a série global “Sob Pressão”, trouxe em seu terceiro episódio, um debate em torno da religião e ciência envolvendo um médico e uma mãe que se nega doar os órgãos do filho com morte cerebral, porque ainda acredita em um “milagre”. Situação esta, que se torna extremamente triste, uma vez que, o cidadão se contesta em devolver a vida a alguém que muito necessita.
Por outro lado, o presidente da OBTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), Roberto Manfo, acredita que o número de transplantes no Brasil não se eleva devido à falta de informação do povo brasileiro. Informação esta verídica, devido ao fato, de campanhas sobre o assunto serem praticamente, inexistentes em canais de mídia no país. Assim, a nossa geração e as próximas que ainda virão, vão praticamente, desconhecer o processo solidário e ignorar o fato de pessoas com graves problemas de saúde estarem sofrendo em uma cama de hospital, enquanto muitos tem em mãos a solução.
Portanto, é mister que o Sistema de Saúde Brasileiro, passa por um grave problema na diminuição da doação de órgãos no Brasil. O Ministério da Saúde, deve, por meio dos canais de televisão, exigir o seu tempo obrigatório do horário político, para transmitir aos brasileiros o caos que o sistema está passando. Os governantes devem ser claros para comover a sociedade e fazer estourar a bolha que impede a nação de enxergar a dificuldade do próximo, e, assim, se cadastrarem como doador. Dessa forma, voltaremos a nos orgulhar, assim como Kafka, do sentimento que nos torna seres humanos: o sentimento de ser solidário.