Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 07/10/2019
O programa de transplantes de órgãos, no Brasil, foi regulamentado pela Lei 9434 em 1997. Na sociedade, porém, a doação de órgãos ainda é um problema a ser enfrentado. Nesse cenário, a desinformação da população sobre o tema e a falta de estrutura hospitalar emergem como empecilhos para melhorar o quadro.
Em primeiro plano, sabe-se que a desinformação pode agravar a situação. A lei de transplantes de 1997 decretava a doação como compulsória, era dever de todo brasileiro, porém uma mudança na legislação mudou o cenário, a partir de 2001, doar órgãos se tornou uma decisão da família. Entretanto, pouco se sabe, por parte da população, sobre o processo, o que torna, dessa forma, o número de doadores mais baixo que o necessário. Sabe-se que em países com os melhores serviços de captação de órgãos, como Espanha e Estados Unidos, a temática é abordada desde cedo nas escolas. Logo, percebe-se que o aumento do número de doadores é influenciado pelo acesso à informação.
Ademais, deve-se analisar como a falta de estrutura hospitalar interfere na problemática. Segundo o Ministério da Saúde, 96% dos transplantes realizados no Brasil são feitos pelo SUS. Sabendo da precariedade em que se encontram os hospitais públicos e da necessidade de um eficiente setor hospitalar para a realização do processo - como equipe, médica preparada, psicólogos para acompanhar as famílias e aparelhos para a realização de testes -, entende-se o porquê da infraestrutura dos hospitais ser um empecilho para a realização de transplantes. Como ocorreu em 2010 em que uma família, no Rio de Janeiro, não conseguiu doar os órgãos da filha, porque nenhum hospital público da região tinha aparelhos para realizar os exames necessários que autorizam a doação. Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática.
Para tanto, o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, deve realizar campanhas educativas, em escolas, universidades e meios de comunicação de massa, que informe a população sobre a importância da doação, por meio de peças teatrais, palestras e entrevistas com receptores de órgãos e profissionais da saúde, a fim de tornar maior o conhecimento sobre o assunto e, assim, tornar o Brasil um dos países com os melhores serviços de captação de órgãos.