Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 01/10/2019

Grandes avanços na medicina ocorreram motivados pelas necessidades trazidas pelos adventos das Guerras Mundiais, como a criação do primeiro antibiótico e o transplante de órgãos. Esse, em especial no Brasil, enfrenta um grande dilema atualmente a respeito do processo de doação de órgãos. Diante disso, é crucial analisar não só a resistência das famílias em aceitar a decisão do doador, mas também a corrupção atrelada a essa prática, a fim de superar essa problemática.

Vale citar, de início, a série de drama médico norte americana Grey’s Anatomy que ilustra um caso antiético, em que uma médica responsável por um paciente na fila por transplante manipula resultados de exames para obter o órgão de forma ilegal. Entretanto, casos como esse acontecem também na vida real, onde esquemas de corrupção dentro dos hospitais lucram com o alto preço pago pelos pacientes para adiantar a espera ou até mesmo pela compra de órgão traficado.Assim, a resolução desses crimes se torna difícil por principalmente envolver pessoas com alto poder aquisitivo e também pela falta de recursos da polícia para investigações em grandes esquemas de corrupção.

De forma complementar, outro fator importante é a dificuldade de aceitação das famílias da morte de seus entes e a escolha dos mesmos em optar pela doação de seus órgãos. O luto em si, estudado dentro da área de psicologia, é um dos motivos mais frequentes para explicar a resistência. Soma-se a isso o fato da grande diversidade cultural existente no país, onde muitas religiões reprovam tal prática por suas crenças, como a santidade do corpo mesmo após a morte e a ressurreição, acreditada por exemplo pelo cristianismo. Dessa forma, grandes oportunidades para salvar vidas já foram desperdiçadas pela relutância e falta de compreensão pela decisão dos doadores em vida.

É necessário, portanto, promover ações as quais alterem esse quadro. Logo, cabe ao Estado, responsável por administrar os órgãos de polícia, financiar recursos para melhorar as investigações dos crimes envolvidos nos transplantes, por meio de aumento de verbas e treinamento especializado para tratamento de grandes esquemas de corrupção. Ademais, é essencial que o Ministério da Saúde dissemine informações sobre o funcionamento e a importância das doações, voltado especialmente para as famílias, através de campanhas e palestras, a fim de reverter esse quadro de resistência. Com essas medidas, espera-se uma superação desse dilema no Brasil.