Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/10/2019

A Carta Magna prevê a possibilidade dos cidadãos brasileiros realizarem a doação de órgãos em vida ou morte. A última, por sua vez, é permitida somente se precedida de diagnóstico de morte encefálica e com a autorização de um parente. Entretanto, mesmo com campanhas publicitárias sobre a necessidade da doação de órgãos, muitos brasileiros carecem da falta de informação e acabam por não negar o procedimento, dificultando o acesso para quem precisa. A falta de conhecimento perante o assunto, também prejudica os que têm interesse em doar, já que é comum que deixem de cumprir medidas padrões por saberem delas. Nesse contexto, constata-se que a educação sobre o tema é o melhor modo de derrubar os obstáculos que existem sobre ele.

A princípio, é imperioso ressaltar que o Brasil é destaque na doação de órgãos no mundo, tendo alcançado um recorde de crescimento de 7% de doadores no ano de 2018, se comparado à 2017. Todavia, o país ainda não consegue suprir as necessidades dos que aguardam na fila de transplantes. Relativo a isso, alguns cidadãos que sentem desejo de doar quando vierem à óbito, não possuem a informação de que é necessário comunicar às suas respectivas famílias dessa vontade, o que, por vezes, pode gerar a desautorização dos parentes na doação de seus órgãos. Desse modo, fazendo-se claro os danos da desinformação social no tocante assunto, torna-se mister a tomada de medidas para reverter este quadro.

Outrossim, é imperativo salientar que a falta de informação à sociedade traz grandes problemas para a nação. Dessa maneira, convém fazer coro às palavras da enfermeira Claire Fagin: “o conhecimento lhe dará a oportunidade de fazer a diferença”. Consoante ao pensamento de Claire, é indiscutível que com uma educação clara e abrangente, o medo e o preconceito que reside sobre as família de doar os órgãos de entes, será superado. Com a conscientização e desmistificação de mentiras que assombram a sociedade, as imensas filas de pessoas que aguardam o transplante poderão ser reduzidas.

Depreende-se, portanto, a necessidade de enfrentar os dilemas da doação de órgãos no Brasil. Para tanto, o Ministério da Saúde - ramo responsável pela saúde pública - deve realizar palestras e teatros que falem sobre a importância do ato por meio de eventos em praças públicas, a fim de conscientizar o público sobre o tema. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação elabore projetos escolares para que desde a tenra idade, a futura geração já conheça a importância da doação de órgãos como um bem comum na sociedade. Assim, os obstáculos enfrentados pelo tema em questão poderão ser superados.