Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 10/10/2019
O primeiro transplante de órgãos foi feito na cidade de Boston, em 1954, décadas após esse feito muitas descobertas e avanços científicos ocorreram na área. Entretanto, apesar da vasta evolução nessa área da ciência, a doação de órgão ainda se mostra um desafio no Brasil, pois depende da escolha feita pela família em aceitar ou não. Diante disso, deve-se analisar como a falta de conhecimento sobre o tema e a falta de empatia geram a problemática em questão.
É relevante enfatizar, a princípio, que o pouco conhecimento a respeito da doação de órgão é um dos principais dilemas a ser enfrentado. Isso porque, conforme defendeu Gilberto Dimenstein, só existe opção quando há informação. No entanto, por falta de conhecimento a respeito da rapidez em que o processo deve ocorrer e o apego a crenças religiosas, muitas famílias acabam não aceitando que haja a doação de órgãos. Fato expresso, por pessoas que tem morte encefálica, apesar de tudo funcionar não existe possibilidade de vida, mas mesmo assim muitos parentes apegam-se a esperanças religiosas, em conjunto com o pouco diálogo com médicos e enfermeiros, e não compactuam com a doação.
Atrelado a falta de conhecimento, a falta de empatia também é um obstáculo a ser superado. Isso ocorre porque, conforme defendeu Zygmunt Bauman, as relações interpessoais estão cada vez mais superficiais e fluídas. Em decorrência dessa fragilidade dos laços afetivos, muitos cidadãos não pensam em falar no assunto da morte e deixar claro para as pessoas próximas sua decisão em tornar-se doador e poder salvar vidas. Logo, na hora da decisão muitos não aceitam por desconhecer a vontade do sujeito. Assim, é comum que famílias arrependam-se, algum tempo após a morte, de não ter doado órgão de seus entes queridos.
Torna-se evidente, portanto, que a falta de informação e de empatia geram a problemática em questão. Em razão disso, é necessário que a mídia, em pareceria com o Ministério da Saúde, promova campanhas que incentivem o apoio a doação, além de destinar verba para a criação de um órgão de apoio e esclarecimento a possíveis dúvidas que à família venha a ter. Ademais, é necessário que a escola também promova a conscientização, desde cedo, de pais e filhos a respeito da importância do diálogo sobre o tema e a ação a ser realizada, por meio de reuniões, palestras e aulas. Assim, os avanços ocorridos em décadas podem ser utilizados, plenamente, para salvar vidas.