Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 03/10/2019
Em seu livro “Utopia”, o escritor Thomas More retrata uma sociedade perfeita, caracterizada por ausência de problemas. Entretanto, a realidade social é o oposto da idealizada pelo autor, uma vez que impasses como os dilemas da doação de órgãos impedem tal devaneio. Assim, tanto a falta da doação presumida, quanto a desautorização familiar contribuem para este cenário antagônico no Brasil. Diante disso, é necessário a discussão desses aspectos a fim de melhor o funcionamento do corpo social.
Em primeiro lugar, para o escritor brasileiro Jean Carlos de Andrade, somos -ou deveríamos ser- donos de nós mesmos. No entanto, doar órgãos no Brasil não é decisão do próprio indivíduo, já que em 2017 a lei mudou a doação presumida (a pessoa decide em vida ser ou não doadora) para consentida, tornando obrigatório a autorização familiar para os transplantes. Nesse sentido, fica evidente a negligência estatal com o desejo do cidadão.
Em segundo lugar, em grande parte dos casos, os familiares não permitem a doação. De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, 47% das famílias -tomadas por grande comoção-desautorizam que partes do organismo de seus entes sejam doados para outras pessoas. Diante disso, faz-se mister a intervenção do estado para a resolução dos empecilhos que fomentam o problema no Brasil.
Portanto, medidas factíveis são necessárias para a solução da problemática. Com esse objetivo, os deputados devem aprovar o projeto de lei que restabelece a doação presumida, por meio de votação no Congresso Nacional com a maioria dos votos a favor, a fim de tornar a decisão de doar ou não exclusivamente pessoal. Assim, os impactos nocivos dos dilemas da doação de órgãos serão atenuados e a sociedade estará um passo mais próxima da Utopia de More.