Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 16/10/2019
O filme norte americano “7 vidas” retrata a questão mais importante da doação de órgãos: uma única pessoa, com a atitude citada, consegue salvar outras sete. Nesse sentido, é fato que a mídia pode ser relacionada a sociedade brasileira no século XXI, tendo em vista que o incentivo a esse tipo de generosidade pode multiplicar a vida. Portanto, é necessário que os Poderes Públicos estimulem essa atitude em virtude do preconceito enraizado na população a respeito do tema.
Em primeiro plano, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por permitir o feito da barreira cultural, visto que, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 47% das famílias se recusam a doar órgão de parente com morte cerebral. A falta de hábito de dialogar sobre o desejo de doação do falecido, resulta na recusa da família da vítima. Além disso, outra entrave é a falta de conhecimento da família nos casos de morte cerebral, visto que alimenta-se a ideia de recuperação da vítima, entretanto esses casos são irreversíveis. Aliás, é importante ressaltar que decisão da doação deve ser imediata para que não ocorra a falência de todo o organismo.
No ano de 2018, houve um crescimento de 7% no número de doadores efetivos de órgãos, segundo o Ministério da Saúde. Apesar disso, é imprescindível que o Brasil estimule incentivos na estrutura de coleta, transporte e transplante dos órgãos. Em 2015, 173 órgãos foram ofertados pelos estados à Central Nacional de Transplantes (CNT), contudo, acabaram recusados por falta de transporte, revelando uma grande deficiência no serviço prestado aos pacientes receptores. Com isso, demonstra-se que mesmo com o aumento de órgãos doados, a logística ainda é um fator que influencia de maneira desfavorável na redução da perda de órgãos.
Infere-se, portanto, que é importante a mitigação dos dilemas para a doação de órgãos. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas de divulgação de informações sobre como funciona o transplante de órgão, esclarecendo dúvidas para os casos de morte cerebral, que visem cessar e reduzir o tempo gasto para a decisão de doação. Outrossim, é necessário que o Ministério da Educação promova a formação de especialistas em transplantes e essencialmente em profissionais da logística, visando reduzir o fracasso no deslocamento e aumentar o percentual de pessoas receptoras de órgãos. Só assim, o país usufruirá do seu grande números de doações de órgãos.